Casos de poliomielite em Angola inviabilizam declaração de erradicação da doença

Os sete casos de poliomielite registados este ano em Angola impedem que o país possa receber em Dezembro o certificado de erradicação da doença da Organização Mundial de Saúde (OMS), admitiu hoje uma fonte do Ministério da Saúde.

Agência LUSA /

As autoridades sanitárias angolanas esperavam conseguir no final deste ano aquele certificado, na sequência dos esforços que têm sido desenvolvidos no país para erradicar a poliomielite.

O último caso desta doença tinha sido registado em Maio de 2001, o que alimentava as esperanças das autoridades angolanas, mas o aparecimento de sete novos casos entre Abril e Julho deste ano inviabilizou a declaração oficial de erradicação.

O primeiro caso ocorreu a 25 de Abril no Cacuaco, município a norte de Luanda, tendo a 19 de Maio sido registado o segundo caso, no Lobito, a segunda cidade mais importante da província de Benguela.

Um mês depois, a 17 de Junho, foi detectado um novo caso no município do Cazenga, em Luanda, e uma semana mais tarde, a 24 de Junho, as autoridades registaram mais um caso, desta vez em Saurimo, capital da província da Lunda Sul.

A 5 de Julho foram detectados mais dois casos, um em Saurimo e outro em Luena, capital da província do Moxico.

O último caso de poliomielite foi registado em Angola a 12 de Julho, novamente na cidade costeira do Lobito.

Segundo a fonte do Ministério da Saúde, citada pela agência de notícias angolana ANGOP, o país terá agora que esperar mais cinco anos sem a ocorrência de novos casos para que a poliomielite possa ser considerada oficialmente erradicada.

Isto significa que, caso não surja mais nenhum caso de poliomielite, a OMS apenas estará em condições de emitir o certificado de erradicação da doença em 2010.

Na sequência dos esforços que têm vindo a ser realizados para erradicar a poliomielite de Angola, as autoridades sanitárias vão realizar entre 30 de Setembro e 02 de Outubro a terceira fase da campanha nacional de vacinação.

Esta campanha, que teve as duas primeiras fases em Julho e Agosto, visa a vacinação de cerca de cinco milhões de crianças angolanas com menos de cinco anos.

Em meados de Agosto, depois da conclusão da segunda fase da campanha nacional de vacinação, o governo angolano lançou um apelo de urgência à comunidade internacional para a recolha de fundos no valor de 1,8 milhões de dólares, destinados a financiar a terceira fase desta campanha.

Angola foi atingida em 1999 por um dos maiores surtos epidémicos de poliomielite registados em África, que provocou 113 mortos, num total de 1.117 casos.


PUB