Catalunha: Manifestação pela independência levou milhares às ruas de Barcelona

Centenas de milhares de pessoas reuniram-se nas ruas de Barcelona para celebrar o Dia da Catalunha (A Diada) com uma manifestação de apoio à independência desta região espanhola. De acordo com as forças independentistas, a concentração convocada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC) foi o “ponto de partida” de outras mobilizações previstas para este ano.

Joana Raposo Santos - RTP /
Os organizadores da concentração revelaram que 460 mil pessoas se inscreveram para participar Albert Gea - Reuters

Os organizadores da concentração revelaram que 460 mil pessoas se inscreveram para participar. No entanto, a Guàrdia Urbana, força policial de Barcelona, comunicou através da rede social Twitter que se cerca de um milhão de pessoas estiveram nas ruas.

Madrid enviou cerca de mil polícias para Barcelona de modo a evitar incidentes e não foi registado nenhum conflito. A manifestação começou na Plaça de les Glòries e terminou no Palau Reial de Pedralbes, que serviu de palco aos discursos de encerramento.


Quim Torra, Presidente do Governo Autónomo da Catalunha, pediu ao chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e a “toda a população de Espanha” que seja aplicada “a máxima inteligência política” na questão da independência.

“Não podem existir presos políticos e exilados. Pedimos aos cidadãos espanhóis que sejam conscientes da sua soberania e que sejam solidários para com o povo catalão. Vamos fazer uma marcha sem fim”.

Já na segunda-feira, Torra tinha afirmado que o Governo catalão “pretende tornar a república numa realidade”. “Viva a Catalunha livre”, declarou. Sánchez, por outro lado, tem mostrado uma posição firme contra a separação.

O Plenário do Congresso dos Deputados debaterá na quarta-feira e votará no dia seguinte uma moção do Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCAT) sobre os planos de diálogo entre o Governo de Sánchez e o Governo da Generalitat.
“Caminho sem retorno”
O presidente do Parlamento, Roger Torrent, afirmou sentir-se satisfeito com o povo catalão por ter saído à rua para "reivindicar a liberdade de forma massiva e democrática".

"Temos de avançar. Nos próximos meses haverá um julgamento político contra uma ideia, o que constitui uma fraude judicial", declarou. "O diálogo do qual Pedro Sánchez fala não faz sentido, pois as pessoas com quem quer dialogar estão na prisão", acrescentou.

A presidente da ANC, Elisenda Paluzié, foi outra das personalidades a discursar durante a manifestação. "Agora estamos mais conscientes das dificuldades que temos de enfrentar para chegar ao topo, mas também da necessidade imperativa de alcançá-lo”, garantiu.

“Sabemos que estamos perante um Estado que, para reprimir a independência, está disposto a violar direitos fundamentais”.

O presidente da Associação dos Municípios pela Independência (AMI), Josep Maria Cervera, também discursou e fez questão de recordar os líderes independentistas presos, agradecendo-lhes pela "força e dignidade para enfrentar o presente e o futuro".

"Celebramos este dia demonstrando a nossa capacidade de mobilização", afirmou. "O nosso compromisso é firme e o caminho que iniciámos não tem retorno".
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