«Catamarans» tornam mais fáceis e rápidas ligações inter-ilhas em Cabo Verde
Cabo Verde passa a ter, a partir de domingo, ligações marítimas mais rápidas, com a entrada em funcionamento dos dois primeiros "catamarans" a operar nas águas cabo-verdianas.
Os dois barcos, pertencentes a empresa Moura Company, irão fazer as ligações inter-ilhas, nomeadamente, de São Vicente para Santo Antão e São Nicolau e ainda da Cidade da Praia (Santiago) para as ilhas do Fogo, Brava, Maio, Sal e Boa Vista.
De acordo administrador da empresa, Policarpo Carvalho, são embarcações ultra-rápidas que irão diminuir o tempo da viagem marítima, além de proporcionar aos passageiros maior conforto nas deslocações.
Por exemplo, os "catamarans" vão permitir ligar São Vicente a São Nicolau em apenas duas horas (são cerca de cinco horas nas embarcações normais); Fogo à Brava em 35 minutos; São Vicente a Santo Antão em 30 minutos (cerca de uma hora nas outras embarcações) e Praia/São Vicente em cerca de cinco horas (até agora chegava a demorar quase 20 horas).
A primeira embarcação, denominada "Auto Jet", tem capacidade para 222 passageiros e fará a ligação São Vicente/ Santo Antão, duas a três vezes por dia. O mesmo barco também ligará São Vicente - São Nicolau duas vezes por semana.
O outro "catamaran", "Jet Caribe", com capacidade para 313 passageiros, liga Praia/ Maio/Boavista/ Sal aos domingos, e Praia/Fogo/Brava às segundas, quartas e sextas-feiras.
Segundo Policarpo de Carvalho, as estruturas de custos de embarcações de alta velocidade como estas são diferentes das dos outros navios, e a alta especialização da tripulação acarreta custos adicionais.
"A ARE (Agência de Regulação Económica) recomendou um preço diferenciado para embarcações de alta velocidade. Os preços variam por milhas percorridas. Há uma tabela, que é regulada pela ARE, que vamos praticar" disse o responsável.
O preço das deslocações varia entre os 1 300 escudos (11,7 euros) na viagem de S. Vicente para S. Nicolau e os 4.890 escudos (44,34 euros) da viagem entre Praia e Mindelo (Santiago e S. Vicente), sensivelmente um quarto da viagem de avião.
O administrador da empresa define estas embarcações como sendo "seguras e próprias para a navegação oceânica", que deram já mais que provas em águas similares às de Cabo Verde.
"Além disso são confortáveis, com ar condicionado, televisores internos, com várias componentes electrónicas para controlar tudo o que se passa no interior e no exterior dos navios", explicou.
A entrada em funcionamento dos "catamarans" vai dar novo impulso ao transporte marítimo em Cabo Verde. Até agora tem prevalecido no arquipélago as embarcações mistas de cargas e passageiros e que demoram cerca do dobro do tempo de viagem.
Trata-se ainda de alternativa para os turistas que quiseram viajar de barco em vez de avião, já que os preços por via marítima são substancialmente mais baratos.