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Catar quer oferecer avião de luxo a Trump, democratas puxam da Constituição
Por ocasião da viagem presidencial de Donald Trump ao Qatar, esta semana, o presidente americano foi subitamente apanhado em nova polémica, desta vez envolvendo uma oferta milionária de 400 milhões de dólares do rei daquele país. Em causa está um Boeing 747-8 que o reino do Catar quer oferecer à Administração Trump para ser usado como Air Force One, uma das instituições americanas em termos de defesa e de soberania.
O presidente Trump tem por estes dias uma visita oficial ao Catar, mas é uma oferta do reino à sua Administração que está a levantar polémica.
De acordo com vários media internacionais, a Casa Branca está em discussões com a família real do Catar para receber “um avião de luxo” que deverá ser usado como avião presidencial, o Air Force One.
O Catar já veio negar que se trate de uma oferta, preferindo antes falar de transferência de uma aeronave para “uso temporário”. De acordo com o porta-voz Ali Al-Ansari, a oferta está ainda a ser considerada pelo Ministério da Defesa do Qatar e pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, não havendo ainda uma decisão definitiva.
“A questão continua a ser analisada pelos respetivos departamentos jurídicos e nenhuma decisão foi tomada”, explicou Ali Al-Ansari.
Adam Schiff, senador da Califórnia, citou uma seção da Constituição norte-americana nas redes sociais que refere que nenhum funcionário eleito pode aceitar “qualquer presente... de qualquer tipo” do líder de um Estado estrangeiro sem a aprovação do Congresso.
Adam Schiff, senador da Califórnia, citou uma seção da Constituição norte-americana nas redes sociais que refere que nenhum funcionário eleito pode aceitar “qualquer presente... de qualquer tipo” do líder de um Estado estrangeiro sem a aprovação do Congresso.
Menos discreto do que o representante do Catar e como de costume desafiador dos adversários que publica e abertamente menospreza, o próprio Donald Trump não hesitou em correr para a sua rede social, a Truth Social, para não apenas confirmar a oferta, como regozijar-se com ela.
“Portanto, o facto de o Departamento de Defesa receber um PRESENTE, GRATUITAMENTE, de um avião 747 para substituir o Air Force One com 40 anos, temporariamente, numa transação muito pública e transparente, incomoda tanto os Democratas Corruptos que insistem que paguemos, O PREÇO MÁXIMO, pelo avião”, escreveu Trump na sua conta, confirmando a intenção de aceitar o avião no que será, com um custo estimado de 400 milhões de dólares, um dos presentes mais caros alguma vez recebidos por um governo norte-americano.
Laura Loomer, aliada de longa data de Trump, veio também a terreiro questionar a possibilidade de esta oferta ir por diante. Depois de escrever nas redes sociais que ela “levaria uma bala” por Trump, disse agora que, “se for verdade, isto vai realmente ser uma mancha tão grande na [Administração]”.
Face às críticas dos democratas e dos próprios aliados, surgindo dúvidas sobre uma prática que escapa à ética e provavelmente à Constituição, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, veio já rejeitar todas as alegações: “Qualquer oferta de um governo estrangeiro é sempre aceite em total conformidade com as leis aplicáveis. A administração do Presidente Trump está comprometida com a total transparência”, declarou Karoline Leavitt.
De acordo com dados da Força Aérea norte-americana, a Casa Branca inclui atualmente na sua frota aérea dois Boeing 747-200B personalizados para uso presidencial, com equipamentos especiais de comunicação, escritório e sala de conferências. Os dois aviões estão em uso um desde 1990 e o outro desde 1991.
O modelo que o Catar se predispõe a oferecer é uma versão de um 747-8, um modelo da Boeing mais recente e que, segundo a cadeia ABC News, foi atualizado para ser “um palácio voador”.
A aceitação da oferta por parte de Trump revela também um certo mal-estar em relação à Boeing, com quem, enquanto presidente no primeiro mandato, contratualizou uma renovação da frota Air Force One.
Trump queixou-se no início deste ano que a empresa estava atrasada na encomenda. A sua Administração tinha inicialmente negociado com a Boeing dois aviões especializados 747-8 no mandato iniciado em 2016.
A fabricante disse que a aeronave não estaria disponível até 2027 ou 2028 e logo em fevereiro Trump deixou a sua crítica: “Não, não estou satisfeito com a Boeing. Eles demoram muito a fazer o Air Force One, nós atribuímos esse contrato há muito tempo”.
O modelo que o Catar se predispõe a oferecer é uma versão de um 747-8, um modelo da Boeing mais recente e que, segundo a cadeia ABC News, foi atualizado para ser “um palácio voador”.
A aceitação da oferta por parte de Trump revela também um certo mal-estar em relação à Boeing, com quem, enquanto presidente no primeiro mandato, contratualizou uma renovação da frota Air Force One.
Trump queixou-se no início deste ano que a empresa estava atrasada na encomenda. A sua Administração tinha inicialmente negociado com a Boeing dois aviões especializados 747-8 no mandato iniciado em 2016.
A fabricante disse que a aeronave não estaria disponível até 2027 ou 2028 e logo em fevereiro Trump deixou a sua crítica: “Não, não estou satisfeito com a Boeing. Eles demoram muito a fazer o Air Force One, nós atribuímos esse contrato há muito tempo”.