Catarina Martins considera absurda intenção de criar missão conjunta da NATO na Gronelândia
A candidata presidencial Catarina Martins considerou hoje absurda a intenção de criar uma missão conjunta da NATO na Gronelândia, e voltou a alertar que o presidente norte-americano representa um "perigo global" travado apenas com "cooperação global".
"Quantas armas é que precisamos de colocar nas mãos de generais norte-americanos para nos sentirmos mais seguros? Alguém que diga que isto é um absurdo e que seja Portugal", defendeu a candidata às eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Catarina Martins falava durante uma sessão pública dedicada à habitação, mas aproveitou para destacar também o atual contexto internacional e a intenção da Alemanha de propor a criação de uma missão conjunta da NATO na Gronelândia.
Segundo noticia hoje a Bloomberg, um grupo de países europeus, liderado pelo Reino Unido e a Alemanha, estará a discutir planos para aumentar a presença militar naquele território autónomo dinamarquês, após Donald Trump ter sugerido que os Estados Unidos podiam vir a assumir o controlo da Gronelândia.
De acordo com o mesmo órgão de comunicação, a Alemanha vai propor a criação de uma missão conjunta da NATO para proteger a região do Ártico, intenção que foi prontamente criticada por Catarina Martins.
"Vamos pedir a um general norte-americano que nos defenda do presidente norte-americano?", ironizou a candidata a Belém.
Para Catarina Martins, "é o momento de a Europa começar a pensar em formas de cooperação para a sua segurança, não com os Estados Unidos, mas apesar dos Estados Unidos", país liderado por alguém que a candidata considera representar um perigo global.
"E um perigo global trava-se com cooperação global", insistiu.
Catarina Martins aproveitou ainda o tema para responder a Henrique Gouveia e Melo que considerou hoje que os Estados Unidos estão numa "deriva perigosa" relativamente à anunciada intenção de ocuparem a Gronelândia.
"Era bom deixar de usar essa palavra como se os acontecimentos dos últimos dias fossem um pequeno desvio", afirmou Catarina Martins, referindo-se ao ataque lançado pelos Estados Unidos na Venezuela, às declarações subsequentes de Trump sobre a Gronelândia, Colômbia, Cuba e México e, mais recentemente, a morte de Renee Good em Minneapolis (Minnesota), depois de um agente federal do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ter disparado à queima-roupa.
"Trump não está numa deriva perigosa, Trump é um perigo. É um perigo para o seu povo e um perigo no mundo", alertou.
Voltando à necessidade de cooperação internacional, Catarina Martins avisou ainda que, para isso, a Europa tem de ser igualmente capaz de condenar os ataques à Ucrânia e à Faixa de Gaza.