Cavaco contorna guerra colonial propondo o "lado positivo da História"
** Luís Andrade de Sá, da Agência Lusa **
Maputo, 24 Mar (Lusa) - O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, contornou hoje situações de guerra colonial em Moçambique, propondo em alternativa a evocação dos "aspectos positivos da História".
Durante uma conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo moçambicano, Armando Emílio Guebuza, o chefe de Estado foi confrontado com a hipótese de Portugal pedir desculpas pela guerra colonial, nomeadamente pelo massacre ocorrido em 1972 em Wiriamu e denunciado por padres católicos da Congregação de Burgos.
"A História é feita pelos homens, todos os dias, com os seus defeitos e virtudes", começou por assinalar Cavaco Silva, que, entre 1963 e 1965, cumpriu o serviço militar em Moçambique, parte do qual já após a eclosão da guerra, em 07 de Setembro de 1964.
"Tento encontrar na História o que é positivo porque se ficarmos sempre a olhar para o passado perdemos o futuro", defendeu Cavaco Silva, que iniciou hoje uma visita oficial de três dias a Moçambique.
Cavaco Silva acabaria, no entanto, por aludir à guerra que opôs Portugal à FRELIMO, considerando que na altura da sua presença como militar existia "uma certa conflitualidade", que, contudo, não o impediu de comprar um automóvel e partir à descoberta de Moçambique.
A seu lado, Armando Guebuza, que em 1964 se juntou à rede clandestina da FRELIMO no exterior e foi preso na Rodésia (actual Zimbabué) e entregue à PIDE, permaneceu em silêncio.
Logo depois, acabada a conferência, o Presidente português partiu para a cripta dos heróis, onde estão túmulos de personalidades exclusivamente ligadas à FRELIMO, como o primeiro Presidente do país, Samora Machel, e o poeta José Craveirinha.
Ali, Cavaco foi saudado por dezenas de figurantes que executaram danças e cânticos étnicos, alguns deles exibindo camisas com a inscrição "Cahora Bassa é nossa".
A resolução em 2006 do diferendo em torno da hidroeléctrica, acordo que Armando Guebuza comparou à "segunda independência" do país, tem servido como exemplo para atestar o estado e o bom ambiente nas relações entre os dois países.
"O ambiente é favorável ao alargamento da nossa cooperação bilateral", disse Guebuza.
"Quero que esta minha visita fique marcada por um novo ciclo na cooperação entre os dois países. Portugal e Moçambique estão à altura dos desafios e vão dar resposta", respondeu o Presidente português.