Caverna dos tsunamis mostra que maremotos podem ser periódicos

A caverna onde foram descobertas marcas dos últimos tsunamis em Aceh, na ilha indonésia da Samatra, mostra que os maremotos podem ser periódicos, disse Nazli Ismail, um dos investigadores que está a estudar o local.

Lusa /

"Periodicamente, vimos cinco vezes pequenos tsunamis seguidos de cinco vezes grandes tsunamis ou algo assim. Isto é uma espécie de sinal de que deverão ser periódicos desta forma, mas isto ainda não é claro. Precisamos de estudar e aprender mais", afirmou Nazli Ismail, presidente do Departamento de Física da Universidade Syiah Kuala, de Banda Aceh.

Após observar as marcas na caverna, que fica perto do epicentro do tsunami de 2004, alguns cientistas creem que o próximo tsunami na região será daqui a 500 anos, mas outros acreditam que poderá ser dentro de 100 a 200 anos, acrescentou o geofísico.

A Universidade Syiah Kuala está a estudar, em colaboração com a Universidade Tecnológica de Nanyang, de Singapura, as marcas de tsunami que foram descobertas em 2011durante uma pesquisa arqueológica.

Foi com a palavra "sorte" que Nazli Ismail qualificou a descoberta de "uma caverna como esta", que não está virada para a costa e tem o formato de "L".

O espaço fica a cerca de cem metros do Oceano Índico e sensivelmente acima do nível do mar, daí que apenas grandes ondas possam ali entrar.

Os cientistas descobriram vestígios de organismos das profundezas do mar - que só poderiam ter chegado ao fundo da caverna com ondas muito fortes -- entre as camadas de excrementos de morcego.

As marcas dos últimos 7500 anos dão conta de onze tsunamis antes do de 2004, tendo o penúltimo ocorrido há cerca de 2800 anos, depois de outros quatro nos cinco séculos anteriores, e de dois grandes terramotos por volta de 1393 e 1450.

Nazli Ismail, que tem tentado "combinar geologia com história", recorrendo a manuscritos antigos, disse ainda à Lusa que um reino antigo de Aceh "colapsou por causa de um tsunami", sendo que o reino seguinte teve o mesmo destino por ocasião do maremoto seguinte.

Mais do que para os registos históricos, o cientista considerou esta descoberta muito importante sobretudo do ponto de vista educativo, porque antes não existia um historial de tsunamis na região, o que levava os habitantes locais a considerarem outro tsunami em Aceh como uma hipótese "impossível".

"Este conhecimento é necessário para o processo de mitigação para a próxima vez (...) Eles podem preparar-se", sublinhou.

Em 2001, cientistas previram que uma futura erupção do instável vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, nas Ilhas Canárias, poderia causar um imenso deslizamento de terra para dentro do mar, afetando três continentes, Europa, África e América.

Questionado sobre a probabilidade deste megatsunami ocorrer nas próximas décadas, o geofísico acrescentou que "naturalmente" "os desastres mais pequenos acontecem frequentemente e os grandes acontecem raramente", mas, ainda assim, explicou que tecnicamente ainda é possível.

O tsunami de 2004, com ondas que atingiram os 30 metros, foi precedido por um terramoto de 9.1 graus na escala Richter e causou mais de 226 mil mortos numa dezena de países da região.

O sismo de 26 de dezembro de 2004, cujo epicentro localizou-se no mar, a cerca de 160 quilómetros a oeste da ilha de Samatra, foi o mais violento desde 1960.

Tópicos
PUB