Caxemira vive dia mais sangrento desde que perdeu o estatuto especial

por RTP
O 5 de agosto foi considerado "o dia mais negro da democracia indiana", o dia em que a Índia revogou o estatuto especial da Caxemira Mark Kauzlarich - Reuters

Cinco pessoas foram mortas na quarta-feira em Caxemira, numa altura em que a violência impera na região. Estima-se que este tenha sido o dia mais mortífero desde que a região perdeu o seu estatuto especial, em agosto.

Três separatistas e dois civis foram mortos esta quinta-feira em Caxemira. Em declarações à agência Reuters, duas fontes policiais confirmaram que os três rebeldes foram mortos durante um tiroteio com militares a sul da Caxemira.

“Três terroristas foram mortos e os corpos foram retirados do local onde foram encontrados”, comunicou a polícia de Caxemira, acrescentando que foi encontrado “material incriminador, incluindo armas e munições”.

Os dois civis – um comerciante e um trabalhador migrante – foram mortos em ataques separados, por supostos terroristas, em Sophian e Pulwama, duas cidades também a sul da Caxemira. Um terceiro civil ficou gravemente ferido.

As mortes ocorreram depois de os serviços telefónicos terem sido restaurados na segunda-feira. Desde que a Índia retirou o estatuto especial da Caxemira, a região adotou um sistema de segurança para conter os protestos violentos, bloqueando os serviços telefónicos e o acesso à Internet, que continua interdito.

As forças de segurança impuseram, igualmente, restrições a viagens para Caxemira ou perto das regiões de conflito, com o objetivo de evitar uma agudização do conflito.

De acordo com as autoridades locais, muitos rebeldes hostis ao domínio da Índia na região têm entrado em confronto com as forças de segurança após a morte dos três separatistas.
“O dia mais negro da democracia”
Há 72 dias que a região da Caxemira vive um cenário de protestos e violência. Esta é uma região administrada tanto pelo Paquistão como pela Índia, sendo reivindicada pelos dois países na totalidade. As duas nações asiáticas já travaram, inclusivamente, duas guerras pela província.

O 5 de agosto foi considerado “o dia mais negro da democracia indiana”, o dia em que a Índia revogou o estatuto especial da Caxemira.

Os últimos 30 anos têm sido marcados pela rebelião de vários grupos separatistas no lado administrado pela Índia, que exigem a independência do território ou a integração no Paquistão. Dezenas de milhares de pessoas já perderam a vida ao longo destas três décadas.

As autoridades indianas, que reforçaram a força policial na região da Caxemira, consideram que a revogação do estatuto especial traria um maior desenvolvimento do território e acabaria com o terrorismo.

Depois das cinco mortes na quarta-feira, especialistas políticos têm apontado que estes dois argumentos estão a perder sustento. “As reivindicações do governo estão, realmente, a fracassar”, afirmou Khalid Shah, membro do laboratório indiano “Observer Research Foundation”.

“A minha perceção é que a violência só vai aumentar, não vai diminuir”, conclui Shah, citado por The Guardian.
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