CBS despede funcionários responsáveis pela difusão de documento sobre Bush
A cadeia de televisão norte-americana CBS anunciou hoje a demissão de três dos seus directores e de uma produtora na sequência da difusão em Setembro de um controverso documento acusando George W. Bush de ter beneficiado de favores para fugir à guerra do Vietname.
Uma comissão de inquérito independente considerou que a CBS demonstrou "visão limitada" ao difundir o documento no seu prestigiado programa "60 minutes", apresentada pelo jornalista Dan Rather.
Betsy West, vice-presidente da cadeia, responsável pela supervisão dos programas de informação, Josh Howard, responsável pelo programa "60 minutes" e Mary Murphy, seu adjunto, foram os visados.
A produtora Mary Mapes, que ajudou na descoberta do contestado documento, foi também exonerada.
O jornalista Dan Rather, que apresentou o documento aos espectadores da CBS a 08 de Setembro, anunciou em Novembro a intenção de deixar de apresentar em Março o programa, ao fim de 24 anos.
O documento revelado pela CBS acusava Bush de ter beneficiado de apoios para ser admitido na Guarda Nacional do Texas nos anos 70 para escapar à guerra do Vietname.
As revelações baseavam-se num relatório interno do coronel Jerry Killian, morto em 1984, que dirigia na altura a corporação.
Após a difusão, a viúva do militar pôs em dúvida a autenticidade do documento e peritos informáticos revelaram que os caracteres do relatório têm origem num moderno programa de tratamento de texto e não numa máquina dos anos 70.
Este assunto causou sérios danos à credibilidade da CBS, uma das cadeias de televisão mais vistas nos Estados Unidos.
Em Setembro, a CBS anunciou a criação de uma comissão independente, constituída pelo antigo secretário da Justiça Dick Thornburgh e pelo antigo director da agência de notícias norte- americana Louis Boccardi.
A decisão da CBS já motivou, entretanto, uma reacção de satisfação por parte da Casa Branca.
"Sempre pensámos que seria importante que a CBS extraísse conclusões deste assunto. A CBS tomou medidas para responsabilizar certas pessoas e apreciámos esse gesto", declarou Scott McClellan, porta-voz da presidência norte-americana.
"Esperamos que a CBS tome medidas para impedir que qualquer coisa desta natureza volte a acontecer", acrescentou, sublinhando que a comissão de inquérito fez sugestões nesse sentido