CDU inflige pesada derrota ao SPD de Schroeder nas eleições renanas
O SPD do chanceler alemão, Gerhard Schroeder, sofreu hoje uma pesada derrota nas eleições regionais da Renânia do Norte-Vestefália.
De acordo com as primeiras projecções, o SPD quedou-se pelos 37,5 por cento e os democratas-cristãos CDU conseguiram 45 por cento dos votos.
O Estado federado mais populoso do país, com cerca de 18 milhões de habitantes e 13,3 milhões de eleitores, vai mudar de governo, depois de o SPD ter estado 39 anos no poder, os últimos 10 anos em coligação com os Verdes.
Nas eleições anteriores nesta região, em Maio de 2000, o SPD venceu com 42,8 por cento, seguido pela CDU, com 37 por cento. Os liberais do FDP somaram 9,8 por cento e os Verdes 7,1 por cento.
A derrota dos social-democratas significa também o fim do último governo SPD/Verdes a nível regional, 20 anos depois de os ambientalistas terem eleito o seu primeiro ministro para um estado federado, Joschka Fischer, o actual chefe da diplomacia alemã, que assumiu a pasta do ambiente em Hessen.
A 16 meses das eleições gerais, a CDU e o futuro ministro-presidente Juergen Ruettgers, que já foi ministro da Educação, Ciência e Tecnologia do derradeiro governo de Helmut Kohl (1994-1998), conquistaram assim um importante bastião do SPD, que já não conseguiu mobilizar o operariado da Bacia do Ruhr, o maior pólo industrial da Alemanha.
Os democratas-cristãos ficaram à beira da maioria absoluta, faltando-lhes apenas quatro lugares no Parlamento de Dusseldórfia, mas poderão governar em coligação com os Liberais do FDP que, segundo a projecção da ARD, primeiro canal da televisão pública alemã, recolheram 06 por cento dos votos.
Este foi também o resultado conseguido pelos Verdes, que, apesar de terem conseguido menos um ponto percentual que nas últimas eleições no coração industrial da Alemanha, não sofreram punição tão dura como Gerhard Schroeder e os social-democratas.
Apesar de a sua popularidade superar largamente a do candidato da CDU, o cabeça de lista do SPD, Peer Steinbrueck, não teve qualquer hipótese face ao descontentamento do eleitorado renano em relação à política de cortes sociais do governo SPD/Verdes em Berlim.
De acordo com a maioria dos analistas, a derrota do SPD na Renânia não basta para provocar a queda do governo federal e a demissão de Schroeder, mas é provável que o chanceler tenha de repensar a sua política, fazendo concessões à esquerda do seu partido.
Fala-se também na hipótese de uma remodelação do executivo a curto ou a médio prazo, e os nomes a sacrificar, segundo a imprensa alemã, seriam o ministro da Economia e do Trabalho, Wolfgang Clement, e o ministro das Finanças, Hans Eichel, enquanto o candidato derrotado na Renânia, Peer Steinbrueck, poderia assumir uma destas pastas em Berlim.