CDU reconhece derrota para AfD na Saxónia-Anhalt em "dia sombrio"
O líder regional da União Democrata-Cristã (CDU) na Saxónia-Anhalt, Sven Schulze, reconheceu a derrota nas eleições regionais de hoje, classificando-a como "um dia sombrio" para o partido, pela vitória da extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
"Há quem diga que este é um dia triste para a CDU. Eu digo: mas é assim a democracia", declarou Sven Schulze à chegada à concentração pós-eleitoral do seu partido.
"Muitas vezes, tivemos o vento a nosso favor" nas eleições, declarou o dirigente democrata-cristão do estado federado Saxónia-Anhalt, felicitando a AfD pela sua vitória, numa intervenção na qual se escusou a adiantar a posição da CDU quanto à formação de um governo.
O líder conservador regional criticou o peso nestas eleições das políticas do Governo federal liderado pelo chanceler Friedrich Merz, também da CDU, e destacou o aumento da participação eleitoral, que se cifrou em cerca de 80%, mais 20 pontos percentuais que há cinco anos.
"O povo enviou uma mensagem, e agora temos de responder a essa mensagem, não apenas na Saxónia-Anhalt (...). É uma derrota para nós", admitiu Schulze, referindo uma campanha "extremamente difícil e intensa".
"Uma campanha como esta não tem precedentes. Não creio que seja assim em nenhum outro estado alemão", afirmou.
O porta-voz do grupo parlamentar federal da CDU na câmara baixa do Parlamento alemão, Thorsten Frei, sublinhou que este é "um momento decisivo" para a Alemanha.
"Nunca estivemos numa situação em que um partido classificado como de extrema-direita pela agência de serviços secretos interna tenha conquistado uma maioria", observou, antes de pedir "respeito" pelo resultado.
Frei defendeu as reformas "necessárias" promovidas pelo Governo da CDU a nível federal e lembrou a todos que o Bundestag, e consequentemente o chanceler, é eleito para um mandato de quatro anos.
"Não tiremos conclusões precipitadas", advertiu.
O histórico Partido Social-Democrata (SPD) da Alemanha, que governa em coligação com a CDU a nível federal, reconheceu a "natureza dramática" dos resultados na Saxónia-Anhalt, segundo o seu secretário-geral, Tim Kluessendorf.
O líder social-democrata realçou que o seu partido conseguiu manter o apoio naquele estado federado, mas admitiu que esse "não é um grande êxito".
Kluessendorf defendeu, por isso, a formação de uma "maioria democrática" contra a AfD, embora tenha admitido que será "muito, muito difícil" formar governo na Saxónia-Anhalt.
Segundo as projeções divulgadas após o encerramento das urnas, a AfD foi o partido mais votado, com entre 44% e 44,5% dos votos.
O partido de extrema-direita ainda terá de esperar para saber se este resultado lhe permitirá governar o antigo estado da República Democrática da Alemanha (RDA), o que seria inédito.
Se estes números se confirmarem no escrutínio dos votos, a extrema-direita obterá 39 assentos no parlamento regional, sendo necessários 42 para uma maioria absoluta.
Em segundo lugar, de acordo com a projeção do instituto de sondagens Infratest Dimap, citado pela televisão pública ARD, e a estimativa da ZDF, ficou a CDU, do chanceler Merz, com 18,5% dos votos, o que representa uma queda de 18,6 pontos percentuais em relação às últimas eleições, em 2021, e deverá traduzir-se em cerca de 16 representantes no parlamento regional.
A conquistar nove lugares cada, surgem o partido A Esquerda (9,5%), o histórico SPD (8%) e os Verdes, com 9,0%, segundo as estimativas citadas pela ARD.
O partido de esquerda populista Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) consegue 5% dos votos, limiar mínimo para entrar no parlamento estadual.
O FDP, partido liberal, deverá ficar de fora do parlamento estadual, com entre 2% e 3% dos votos.