Celibato. Bento XVI repudia "duas vocações ao mesmo tempo"

Num livro escrito em parceria com o cardeal Robert Sarah, Bento XVI defende que o celibato sacerdotal “tem um grande significado”. As declarações surgem numa altura em que o Papa Francisco está a avaliar um pedido para que, na Amazónia, homens casados possam ser padres.

RTP /
O Papa emérito Bento XVI Stefan Wermuth - Reuters

Bento XVI escreve, na obra Das profundezas dos nossos corações, que a tradição secular dentro da Igreja é essencial para que os padres se concentrem nos seus deveres, considerando “indispensável para que o nosso caminho na direção de Deus permaneça o fundamento da nossa vida”.

Para o Papa emérito, não é “possível realizar as duas vocações (sacerdócio e o casamento) ao mesmo tempo”. As afirmações de Bento XVI chegam numa altura em que o Papa Francisco está a avaliar a possibilidade do ordenamento de padres casados na Amazónia.

Em outubro, vários bispos católicos reuniram-se para discutir o futuro da Igreja na Amazónia.

Na conclusão da reunião, foi lançado um documento onde estavam detalhados os vários problemas que afetavam a Igreja.

Os bispos sul-americanos sugeriram que, em algumas partes da Amazónia, alguns homens mais velhos e casados poderiam ser ordenados a padres, defendendo que isso seria um esforço para combater a escassez de sacerdotes na região.

Foi também pedido ao Vaticano para que reabrisse um debate sobre a ordenação de mulheres como diáconos, afirmando que “é urgente que a Igreja promova e confira na Amazónia ministérios para homens e mulheres de maneira equitativa”, cita a agência Associated Press.

No mesmo livro, Bento XVI e Robert Sarah defendem que "é urgente, necessário, que todos, bispos, sacerdotes e leigos, redescubram um olhar de fé na Igreja e no celibato sacerdotal que protege o seu mistério". Além disso, citando Santo Agostinho, ambos afirmam: "Non possum silere! Não posso ficar calado!".

Todas as propostas foram colocadas num documento aprovado no final de um sínodo de três semanas sobre a Amazónia, convocado pelo Papa Francisco em 2017, com o objetivo de alertar para as ameaças à floresta tropical e melhorar o sacerdócio junto dos povos indígenas.

O Papa Francisco tem sido advertido que qualquer abertura papal a sacerdotes casados ou mulheres diáconos pode levar a Igreja à ruina, culpando a organização do sínodo e o próprio Papa de heresia, uma vez que consideram o celibato sacerdotal obrigatório.
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