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Centenas de artefactos históricos espaciais roubados à NASA
Desde os anos de 1960 que a agência espacial dos Estados Unidos produz protótipos e veículos que constroem a história da conquista extraplanetária humana. Se fossem postos à venda ou leiloados, muitos destes artefactos renderiam milhares ou mesmo milhões de euros. Mas se os mais conhecidos, como o fato lunar de Neil Armstrong ou a bota que imprimiu a primeira marca na Lua, não se encontram à venda, outros de importância histórica equivalente estão no mercado e a preços pouco convidativos.
Os objetos em causa estão elencados num relatório recente da NASA - Audit of NASA’s Historic Property -, quevem agora lançar luz sobre as subtrações indevidas ao espólio museológico da agência espacial.Entre os vários objetos subtraídos à NASA estão
relógios usados pelos astronautas, manetes e joysticks das cápsulas
espaciais, manuais de instrução e um protótipo do rover lunar do tamanho
de um carro.
“A ocasião faz o ladrão”, diz o ditado português. Neste caso em particular, faz todo o sentido. Segundo o relatório da NASA, os objetos desaparecidos estão um pouco por todo o lado, a grande maioria na posse de particulares e colecionadores que pontualmente colocam em leilão os artefactos espaciais.
Alguns deles - aos quais não sendo dado o devido valor, por incúria ou desconhecimento - vão parar ao ferro velho. É o caso de um protótipo que serviu para a construção do Rover Lunar.
Os funcionários da NASA ainda se ofereceram para comprar o rover, mas o dono da sucata recusou e, percebendo o valor histórico, acabou por vender o veículo em leilão por uma quantia não revelada.
É uma das duas cópias conhecidas de uma imagem da cratera de impacto Aristarchus, tirada da sonda Lunar Orbiter 5, em 1967. Esta fotomontagem composta por quatro panoramas de teleobjetiva, cada uma com oito impressões de gelatina de prata, teve como valores estimados entre os 86.534 e os 108.168 euros.
Modelo em tamanho real da Sputnik
Pode ser apenas um modelo da primeira sonda humana, construída pela União Soviética e enviada para o espaço, mas houve que quisesse ter este “brilhante” objeto e pagou 16.225 euros.
Snoopy Astronauta
Um boneco do Snoopy Astronauta de 1969 assinada no capacete pelo Piloto do Módulo Lunar Apollo 10 Gene Cernan. O Snoopy foi a mascote do Programa de Conscientização do Voo Tripulado (MNE). Valores estimados pela leiloeira entre 1.731 e 2.596 euros, vendido por 23.797 euros.
Se um cidadão comum se deparasse com esta peça eletrónica, o mais certo seria não lhe prestar atenção nenhuma. Acontece que este retângulo fazia parte do sistema computacional do Space Shuttle e foi projetados para transmitir dados de e para os sistemas de voo do vai e vem espacial.
Afirmou-se na altura do leilão que este artigo de aparência bastante simples era o objeto mais desejado: uma bolsa branca contendo aparentemente o primeiro material recolhido em solo lunar por Neil Armstrong.
Trata-se de um artefacto incrivelmente raro, como quase todos os outros equipamentos da missão Apollo 11, visto estarem armazenados no Museu Smithsonian - Museu Nacional do Ar e do Espaço norte-americano. No catálogo da leiloeira podia ler-se: “INTERIOR OF BAG WITH REMNANTS OF LUNAR DUST FROM THE APOLLO 11 MISSION.”. Vendido a um comprador anónimo por 1.568.436 euros.
Fato espacial térmico Gemini G1C
Fato térmico de 1962 que foi usado por Gus Grissom, o primeiro homem a voar no espaço por duas vezes durante o programa Gemini. Vendido por 37.859 euros.
Um propulsor líquido V-751, de 1957, elaborado pelo engenheiro russo Alexei Isayev, construído a partir de várias ligas, montadas em um suporte de metal preto, aparentemente sem ter sido testado fogo.
Alexei Isayev foi o homem que esteve na base do programa espacial russo. Os motores elaborados por Isayev lançaram os primeiros satélites artificiais, incluindo o Sputnik-1, o primeiro homem no espaço, e as primeiras sondas não tripuladas a Vénus e à Lua. Base de licitação: 4.327 euros. Vendido por 43.267 euros.
Plano de Voo Apollo 13
Um outro objeto também bastante cobiçado foi o plano de voo da missão Apollo 13. O diário de bordo do plano contém desenhos animados e notas de Fred Haise, Jim Lovell e Jack Swigert tiradas durante o dramático voo Apollo 13, incluindo os registros das ações realizadas em grande detalhe. Lance inicial: 25.960 euros. Arrematado por 237.970 euros.
Nenhum dos 173 objetos e artefactos espaciais apresentados a leilão ficou por vender, sendo o objeto mais barato um mapa detalhado do local de alunagem da Apollo 15, assinada pelo coordenador Dave Scott, de 1975, que foi arrematado por 649 euros.
“A ocasião faz o ladrão”, diz o ditado português. Neste caso em particular, faz todo o sentido. Segundo o relatório da NASA, os objetos desaparecidos estão um pouco por todo o lado, a grande maioria na posse de particulares e colecionadores que pontualmente colocam em leilão os artefactos espaciais.
Alguns deles - aos quais não sendo dado o devido valor, por incúria ou desconhecimento - vão parar ao ferro velho. É o caso de um protótipo que serviu para a construção do Rover Lunar.
No caso do protótipo do Rover Lunar, o relatório explica que em 2014 um historiador da Força Aérea norte-americana que passava junto a um bairro residencial de Blountsville, Alabama, reparou num estranho veículo de rodas grandes e com uma parabólica.
Conhecedor da história da espacial humana, identificou aquele veículo como sendo o protótipo da NASA na elaboração do Rover Lunar, dando disto conta à agência espacial. A NASA encaminhou o avistamento para o OIG (Office of Inspector General, ou gabinete do inspetor geral).
De acordo com o mesmo relatório, “o OIG contactou o indivíduo na posse do veículo, que manifestou interesse em devolvê-lo à NASA”. Solicitou ainda que a NASA declarasse ser legítima proprietária do rover e, se apropriado, que fizesse planos para aceitá-lo como doação. “No entanto [o detentor do veículo], depois de esperar mais de quatro meses por uma decisão da NASA, vendeu o rover a um depósito de sucata”.
Mas não foram só protótipos a desaparecer. Entre os vários objetos perdidos e/ou roubados estão peças dos foguetões pertencentes às missões Mercury, Gemini e Apollo, entre outras mais recentes.
Entre os vários objetos já recuperados estão os três comandos manuais pertencentes à cápsula de reentrada orbital da Apollo 11, bem como o módulo de comando da nave espacial Apollo 9, usado para orientar e fornecer capacidades de aborto daquela missão. Uma recuperação feliz, visto que o ex-funcionário voluntariamente devolveu o artefacto.
Fonte: NASA Office of Inspector General IG-19-002/DR
Todavia, nem sempre é assim. É o caso do saco utilizado durante a missão lunar em 1969 (Apollo 11) que se presume ainda ter poeira lunar, recolhida durante a missão realizada por Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Este saco “espacial” encontra-se em parte incerta, depois de um comprador anónimo o ter arrematado em leilão por 1,8 milhões de dólares, em julho de 2017.
A NASA refere neste relatório que não é fácil gerir o resguardo dos artefactos ligados à história da agência espacial. Ao mesmo tempo sublinha que, à falta de uma política de salvaguarda destas peças ou estruturas classificadas como ativos históricos (por exemplo, edifícios e sites de teste) ou propriedade pessoal (câmaras, roupas espaciais e registos de missão), a perda poderá ser irreparável.
Artefactos vendidos em leilão
Ter um pedaço de história espacial é afinal mais fácil do que se pensa. Se por um lado existem por aí, escondidos ou perdidos, “retalhos” de antigas missões espaciais, outros estão um pouco mais expostos, momentaneamente, em leilões especiais, sendo arrematados por quantias verdadeiramente “astronómicas”.
Um exemplo destas transações aconteceu o ano passado, precisamente na data da celebração do 48.º aniversário da alunagem da Apollo 11, a 20 de julho.
A Sotheby’s realizava então o primeiro leilão ao vivo "Exploração Espacial". A sociedade de vendas por leilão com sede em Londres acumulou 173 objetos e artefatos da corrida espacial, incluindo equipamentos reais, um traje espacial e muitos documentos assinados por astronautas, avaliados em cerca de 3,4 milhões de euros.
Eis alguns dos objetos leiloados:
Foto da sonda Lunar Orbiter 5
Um exemplo destas transações aconteceu o ano passado, precisamente na data da celebração do 48.º aniversário da alunagem da Apollo 11, a 20 de julho.
A Sotheby’s realizava então o primeiro leilão ao vivo "Exploração Espacial". A sociedade de vendas por leilão com sede em Londres acumulou 173 objetos e artefatos da corrida espacial, incluindo equipamentos reais, um traje espacial e muitos documentos assinados por astronautas, avaliados em cerca de 3,4 milhões de euros.
Eis alguns dos objetos leiloados:
Foto da sonda Lunar Orbiter 5
Créditos foto: Sothebys.com
É uma das duas cópias conhecidas de uma imagem da cratera de impacto Aristarchus, tirada da sonda Lunar Orbiter 5, em 1967. Esta fotomontagem composta por quatro panoramas de teleobjetiva, cada uma com oito impressões de gelatina de prata, teve como valores estimados entre os 86.534 e os 108.168 euros.
Modelo em tamanho real da Sputnik
Créditos foto: Sothebys.com
Pode ser apenas um modelo da primeira sonda humana, construída pela União Soviética e enviada para o espaço, mas houve que quisesse ter este “brilhante” objeto e pagou 16.225 euros.
Snoopy Astronauta
Créditos foto: Sothebys.com
Um boneco do Snoopy Astronauta de 1969 assinada no capacete pelo Piloto do Módulo Lunar Apollo 10 Gene Cernan. O Snoopy foi a mascote do Programa de Conscientização do Voo Tripulado (MNE). Valores estimados pela leiloeira entre 1.731 e 2.596 euros, vendido por 23.797 euros.
Processador de computador orbital do Space Shuttle
Créditos foto: Sothebys.com
Se um cidadão comum se deparasse com esta peça eletrónica, o mais certo seria não lhe prestar atenção nenhuma. Acontece que este retângulo fazia parte do sistema computacional do Space Shuttle e foi projetados para transmitir dados de e para os sistemas de voo do vai e vem espacial.
Um objeto que foi colocado a leilão com uma estimativa entre os 4.327 e os 6.057 euros. Foi rematada pela módica quantia de 43.267 euros.
Saco de Poeira Lunar da missão Apollo 11
Créditos foto: Sothebys.com
Afirmou-se na altura do leilão que este artigo de aparência bastante simples era o objeto mais desejado: uma bolsa branca contendo aparentemente o primeiro material recolhido em solo lunar por Neil Armstrong.
Trata-se de um artefacto incrivelmente raro, como quase todos os outros equipamentos da missão Apollo 11, visto estarem armazenados no Museu Smithsonian - Museu Nacional do Ar e do Espaço norte-americano. No catálogo da leiloeira podia ler-se: “INTERIOR OF BAG WITH REMNANTS OF LUNAR DUST FROM THE APOLLO 11 MISSION.”. Vendido a um comprador anónimo por 1.568.436 euros.
Fato espacial térmico Gemini G1C
Créditos foto: Sothebys.com
Fato térmico de 1962 que foi usado por Gus Grissom, o primeiro homem a voar no espaço por duas vezes durante o programa Gemini. Vendido por 37.859 euros.
Motor propulsor de Isayev
Créditos foto: Sothebys.com
Um propulsor líquido V-751, de 1957, elaborado pelo engenheiro russo Alexei Isayev, construído a partir de várias ligas, montadas em um suporte de metal preto, aparentemente sem ter sido testado fogo.
Alexei Isayev foi o homem que esteve na base do programa espacial russo. Os motores elaborados por Isayev lançaram os primeiros satélites artificiais, incluindo o Sputnik-1, o primeiro homem no espaço, e as primeiras sondas não tripuladas a Vénus e à Lua. Base de licitação: 4.327 euros. Vendido por 43.267 euros.
Plano de Voo Apollo 13
Créditos foto: Sothebys.com
Um outro objeto também bastante cobiçado foi o plano de voo da missão Apollo 13. O diário de bordo do plano contém desenhos animados e notas de Fred Haise, Jim Lovell e Jack Swigert tiradas durante o dramático voo Apollo 13, incluindo os registros das ações realizadas em grande detalhe. Lance inicial: 25.960 euros. Arrematado por 237.970 euros.
Nenhum dos 173 objetos e artefactos espaciais apresentados a leilão ficou por vender, sendo o objeto mais barato um mapa detalhado do local de alunagem da Apollo 15, assinada pelo coordenador Dave Scott, de 1975, que foi arrematado por 649 euros.