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Central nuclear de Zaporizhia sem energia após bombardeamentos russos

Central nuclear de Zaporizhia sem energia após bombardeamentos russos

A central nuclear de Zaporizhia, no sul da Ucrânia, a maior da Europa, ficou completamente sem energia elétrica depois do bombardeamento russo na quarta-feira, que danificou as duas únicas linhas de alta tensão que ligavam a central à rede elétrica ucraniana.

RTP /
Alexander Ermochenko - Reuters

A Energoatom, operadora estatal das centrais nucleares da Ucrânia, informou esta quinta-feira na rede social Telegram sobre a desconexão da central nuclear da rede elétrica ucraniana, localizada em território da Ucrânia, mas atualmente sob controlo militar russo.

"Devido a bombardeamentos russo, ontem, 2 de novembro de 2022, as duas linhas de alta tensão restantes que conectam a central nuclear de Zaporizhia à rede elétrica da Ucrânia foram danificadas. A central perdeu totalmente a energia às 23h04, horário local [9h04 em Lisboa] ", explicou a empresa. “Todos os 20 geradores foram ligados”, disse a empresa.

Por questões de segurança, os geradores a gasóleo de reserva que a central possui foram ligados.

Atualmente, Zaporizhia tem potência suficiente para atender as necessidades internas da central com apenas nove geradores a gasóleo em operação, refere a entidade. A energia pode aguentar cerca de duas semanas.

As regiões de Zaporizhia e Dnipropetrovsk são polos siderúrgicos ucranianos. Os ataques russos danificaram 40% da infraestrutura de energia da Ucrânia, disse o presidente Zelensky.
As unidades de potência número 5 e número 6, que estavam ativas, estão atualmente em processo de desativação, após os bombardeamentos, acrescentou Energoatom.

"Há gasóleo suficiente para manter os geradores de reserva por 15 dias se a energia na central permanecer completamente cortada. Mas a contagem regressiva começa até a perda total de energia da central", especificou.

A Energoatom acrescentou que "a capacidade da Ucrânia de garantir a segurança da central de Zaporizhia é significativamente limitada devido à ocupação russa e à intrusão na administração da central por representantes da Rosatom", organismo estatal de energia nuclear da Rússia, que assumiu o controlo de Zaporizhia.

A Energoatom adianta que Moscovo quer ligar a central nuclear à rede russa.

A Rússia não fez qualquer comentário sobre o black out à central.

Embora os seis reatores estejam desligados, eles ainda precisam de um fornecimento constante de eletricidade para manter o combustível nuclear na temeperatura necessária e assim evitar acidentes.

A situação da central nuclear, a terceira maior do mundo, preocupa a Ucrânia e os países aliados, já que está localizada numa região que foi anexada pela Rússia e ali estão a acontecer intensos combates.

As instalações da central sofreram ataques desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro.

A Rússia e a Ucrânia culpam-se mutuamente pelos bombardeamentos e pelos danos nos edifícios da central. O órgão de vigilância nuclear da ONU tem vindo a pressionar no sentido da criação de uma zona de proteção em torno da estação para evitar mais ataques.

c/ Lusa
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