EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Centro de Integridade Pública de Moçambique acusa PGR de mutismo em relação às dívidas ocultas

Centro de Integridade Pública de Moçambique acusa PGR de mutismo em relação às dívidas ocultas

Maputo, 25 abr (Lusa) - O Centro de Integridade Pública (CIP), organização da sociedade civil moçambicana, acusou hoje a justiça do país de "mutismo" em relação aos contornos das dívidas ocultas, assinalando que a instituição está a exonerar-se das suas responsabilidades no caso.

Lusa /

O CIP pronunciou-se sobre o chamado "caso das dívidas ocultas", num comunicado em que analisa a informação prestada hoje na Assembleia da República pela procuradora-geral da República moçambicana, Beatriz Buchili, sobre o desempenho da sua instituição em 2017.

"Há quase a continuação de um mutismo, também quase que absoluto, na Procuradoria-Geral da República, no que tange às ações que está ou não a levar a cabo, visando a investigação do processo relacionado com as dívidas ilicitamente contraídas durante a governação de Armando Emílio Guebuza, como Presidente da República", lê-se na análise.

O CIP considera esporádica a interação que a PGR diz que manteve com o público moçambicano sobre a questão das dívidas ocultas, assinalando que a informação prestada foi escassa e irrelevante.

A decisão da PGR de remeter ao Tribunal Administrativo matérias sobre alegados ilícitos financeiros e administrativos constitui uma fuga para a frente, prossegue a análise.

"Quanto às infracções de natureza estritamente financeira, há uma clara fuga para frente por parte da Procuradoria-Geral da República, se se atender que este órgão detém a competência de dirigir a instrução de processos por infrações financeiras", lê-se no documento.

Sobre o facto de a procuradora-geral da República ter dito hoje no parlamento que a não divulgação completa do relatório de auditoria às dívidas ocultas visa proteger a presunção de inocência, o CIP considera que se trata de um argumento para justificar a inoperância das autoridades judiciais face ao direito constitucional à informação.

"Cabe à Procuradoria-Geral informar sobre o estágio do processo das dívidas ilegais, sem ferir os princípios em causa, desde que não se atenha à matéria dos autos em concreto", diz a análise.

A procuradora-geral da República de Moçambique declarou hoje que continua a instrução preparatória para o apuramento da responsabilidade criminal sobre as dívidas ocultas, assinalando que a justiça está determinada em fazer cumprir a lei.

"Prossegue a instrução preparatória para o esclarecimento e responsabilização por factos de natureza criminal", afirmou Beatriz Buchili, quando dava a informação anual do desempenho da instituição de 2017 na Assembleia da República de Moçambique.

O esclarecimento e responsabilização por factos de natureza criminal, prosseguiu, conta com a cooperação internacional, que vai permitir o acesso a informações relevantes na posse de outros países.

As dívidas ocultas estão relacionadas com avales assegurados pelo anterior Governo moçambicano, entre 2013 e 2014, a empréstimos de mais de dois mil milhões de euros a favor de uma empresa pública ligada à pesca e a duas ligadas a segurança marítima.

Tópicos
PUB