"Centro-direita moderado foi perdendo espaço". Francisco Rodrigues dos Santos desfilia-se do CDS-PP

"Centro-direita moderado foi perdendo espaço". Francisco Rodrigues dos Santos desfilia-se do CDS-PP

"Deixo de ser militante do CDS. Continuo a ser democrata-cristão", escreve o antigo líder do partido.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Paulo Novais - Lusa (arquivo)

(em atualização)

O antigo presidente do CDS-PP Francisco Rodrigues dos Santos abandonou as fileiras do partido, que critica por acompanhar, na sua perspetiva, a influência crescente de discursos identitários, radicalizados e ultraconservadores com "inquietante insensibilidade social".

"Constato uma acção política que se habituou a classificar as pessoas antes de as compreender, a apontar inimigos, a alimentar ressentimentos, em vez de resolver os problemas e a tratar o Estado social europeu como um obstáculo, quando ele é uma das maiores conquistas da nossa civilização", diz, num documento enviado ao líder do CDS.

"O CDS, a meu ver, acompanhou esse movimento, trilhando, precisamente, o caminho inverso do que eu procurei fazer durante a minha presidência. O centro-direita moderado, social e humanista que procurei defender, enquanto o liderei, foi perdendo espaço para uma orientação política que não me sinto capaz de subscrever", diz.

"Deixo de ser militante do CDS. Continuo a ser democrata-cristão", diz. "Continuo a reconhecer-me na tradição humanista da democracia-cristã europeia e defendo um centro reformista, socialmente responsável e avesso à radicalização. Tenho, porém, sérias reservas quanto à vontade do CDS de ocupar esse espaço político. Compreendo o caminho que o partido escolheu, mas não tenho dúvidas sobre o lugar em que eu próprio me encontro, nem de que esse lugar deixou de ser compatível com a minha filiação no CDS", refere a carta que enviou ao atual líder do CDS-PP.

"O partido fez, legitimamente, as suas escolhas. Eu fiz as minhas", acrescenta.

Definindo-se como centrista, com uma "preocupação de encontrar a justa medida entre valores que importa conciliar, como a liberdade e a justiça social, a iniciativa individual e a solidariedade". "Creio que Portugal precisa hoje, talvez mais do que nunca, de recuperar esse sentido de equilíbrio e de entendimento, indispensável às grandes reformas que o país continua a adiar", diz.

Afirma ter procurado intervir quando achou que Portugal estava demasiado inclinado para a esquerda. "Hoje, perante uma deslocação que considero excessiva para a direita, sinto a necessidade de olhar com mais cuidado para valores tradicionalmente associados ao centro-esquerda democrático. Não vejo nisto qualquer contradição", dizendo que o lugar em que se encontra "deixou de ser compatível com a filiação no CDS". 


"Não me basta uma economia que cresça sem melhorar a vida de quem trabalha e continua pobre, de quem não consegue pagar uma casa ou de quem nasce com muito menos oportunidades do que os outros. Uma economia sem rosto humano pode produzir crescimento, mas a sociedade, nem por isso, passa verdadeiramente a viver melhor", afirma.
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