Cerca de 1.300 famílias sitiadas em três comunidades de parque moçambicano

Pelo menos 1.300 famílias encontram-se sitiadas em três comunidades no Parque Nacional de Limpopo, na província de Gaza, sul de Moçambique, disse hoje à Lusa o administrador daquela área de conservação.

Lusa /

Francisco Pariela explicou que, dentro do perímetro do parque, existem as comunidade de Mavodze, de Machampane e de Chimangue, sendo que estas duas são as mais críticas, "porque, para se chegar a estas aldeias, é preciso atravessar principalmente o rio Shingwedzi".

Segundo o administrador, o rio Shingwedzi é periódico, mas em tempos de chuvas "é altamente agressivo", já que recebe água a montante de países vizinhos, entre os quais Zimbábue e África do Sul, "então, por conta desta fúria das águas, não há acesso a estas comunidades".

Pariela afirmou que, na terça-feira, uma equipa conjunta do parque e do governo do distrito de Massingir fez "uma primeira tentativa para dar alimentação, apoio, socorro, a essas duas comunidades, Machampane e Chimangue".

"Partimos aqui de Massingir eram por volta das 09:00 [07:00 em Lisboa] e os colegas voltaram quando eram 21:00 [19:00] e estamos a falar de distância não superior a 70 quilómetros, mas, de facto, foi uma viagem desafiante", explicou.

Pariela avançou que hoje foi feita uma operação aérea em Machampane para o transporte de duas parturientes para uma comunidade próxima que pudesse fornecer assistência médica.

Já ao redor do parque, o administrador referiu que a situação é "crítica", com a "maior parte ou todas as comunidades e postos de fiscalização afetados de forma triste".

"Neste momento que estamos a falar, a maior parte das comunidades, de facto, estão inacessíveis via terrestre. Temos feito isso via barco, temos um barco do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres [INGD] que tem apoiado para acompanhar a segurança dessas comunidades", concluiu.

O total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 114, com seis pessoas desaparecidos, 99 feridas e quase 680 mil afetadas, segundo dados do INGD.

De acordo com a base de dados do INGD, consultada hoje pela Lusa, com números de 01 de outubro até ao final do dia 19 de janeiro, abrangendo já o atual período de cheias generalizadas no país, foram afetadas até ao momento 677.831 pessoas, equivalente a 141.818 famílias, com 11.367 casas parcialmente destruídas e 4.910 totalmente destruídas, agravando o balanço anterior.

Até sexta-feira era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional. Desde 21 de dezembro, pouco antes do início da fase atual de fortes e consecutivas chuvas, o INGD contabiliza 13 mortos.

Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.

Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, cerca de uma dezena de meios aéreos.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

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