Cerca de 250 famílias afetadas pelas chuvas na ilha cabo-verdiana da Boa Vista

Cerca de 250 famílias foram afetadas pelas chuvas de quarta-feira na ilha cabo-verdiana da Boa Vista, disse hoje à Lusa fonte da autarquia local, que está a prestar assistência às pessoas, reafirmando necessidade de apoio do Governo.

Lusa /

"Fizemos um levantamento de cerca de 250 agregados familiares, não só no bairro [denominado de Barraca], mas em todos os povoados", disse à agência Lusa a vereadora pela área da Ação Social da Câmara Municipal da Boa Vista, Fabienne Oliveira.

A autarca deu conta que, apesar de não terem tido uma grande intensidade, as chuvas provocaram "muitos estragos" não só no denominado bairro da Barraca, em Sal-Rei, mas em todos os outros povoados da ilha.

O Gabinete de Ação Social da autarquia ainda está a elaborar um relatório para identificar o número total de pessoas prejudicadas, mas segundo a vereadora, o número pode chegar às 1.000, se se fizer uma média de quatro pessoas por família.

Neste momento, disse, a câmara municipal está a prestar assistência aos afetados, distribuindo cestas básicas e lonas paras a cobertura das casas feitas de chapas e fazendo drenagem de água, sendo que muitos foram acolhidos por familiares e amigos.

"As pessoas estavam a pedir casas para alojar, mas neste momento nós não temos, porque estamos a depender do Governo para nos facultar algumas casas para distribuir aos municípios, já que temos muitas solicitações", referiu a autarca.

As chuvas voltaram a cair na Boa Vista após cinco anos de seca e a vereadora pela área da Ação Social considerou à Lusa que as pessoas não estavam preparadas.

"Mas a Câmara Municipal entrou no terreno com prontidão para prestar socorro às famílias", prosseguiu, dando conta que praticamente toda a equipa camarária e a Proteção Civil estiveram no terreno na quarta-feira, lideradas pelo presidente, Cláudio Mendonça.

Segundo a vereadora, ainda é cedo para avançar um valor dos prejuízos causados, sobretudo no bairro da Barraca, mas reafirma que foram "muitos estragos", mas que não causaram feridos.

Reconhecendo ser uma "situação recorrente" no bairro que nasceu de forma espontânea, Fabienne Oliveira disse que uma das formas de ajudar as pessoas é fornecendo materiais e condições para ir construindo as suas próprias casas e estarem mais bem preparadas para futuras chuvas.

Ainda na quarta-feira, a vereadora disse que a autarquia acionou os ministérios da Família, da Administração Interna e da Habitação, e o Governo mostrou "abertura total" para ajudar.

"A situação de tesouraria da câmara não é dos mais favoráveis e sozinhos não conseguimos arcar com todos os custos e contamos com o apoio do Governo", pediu.

As chuvas que caíram na quarta-feira na Boa Vista provocaram muitos estragos, com as águas a invadirem as barracas e outras casas de várias famílias no bairro também conhecido por Boa Esperança.

"É uma situação muito complicada, mas que não é nova e nem é desconhecida das autoridades locais e nacionais", descreveu a Câmara Municipal da Boa Vista, para quem o problema da habitação e dos efeitos das chuvas na ilha é uma "emergência nacional".

A publicação no Facebook é acompanhada de dezenas de fotos com amontoados de lixo e escombros, ruas alagadas, muita lama, água dentro das casas feitas de chapas e madeira e desalento nas caras das pessoas.

Segundo a autarquia, estas chuvas vieram agravar ainda mais a situação social na ilha da Boa Vista, que é uma das mais afetadas pela crise provocada pela pandemia da covid-19 e pela ausência do turismo desde março de 2020.

O bairro da Barraca, também conhecido por Bairro da Boa Esperança, a escassos metros do centro de Sal-Rei, principal localidade da Boavista, abrigava até 2019 entre nove e 10 mil pessoas, boa parte trabalhadores que fazia funcionar a máquina turística da ilha.

Com a pandemia da covid-19, esse número deverá ter diminuído, já que grande parte dessas pessoas regressaram às suas ilhas de origem para fugir da crise.

Na quarta-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) informou que Cabo Verde estava sob influência de uma onda tropical que está gerando "forte instabilidade", com ocorrência de chuvas, podendo ser acompanhado de trovoadas.

De acordo com a mesma fonte, o sistema iria originar ventos em torno de 60 quilómetros por hora na parte oriental, afetando particularmente as ilhas do Sal e da Boa Vista, com previsão de afetar ouras ilhas.

Em 31 de outubro de 2019, a ministra da Habitação cabo-verdiana, Eunice Silva, disse que o realojamento das mais de 600 famílias que vivem em barracas na ilha da Boavista iria começar em novembro, num processo que se prolongava durante todo ano de 2020.

A governante adiantou que boa parte dessas famílias que ocupam o bairro denominado de Barraca iria ser realojada em 270 habitações do programa habitacional "Casa para Todos".

Em setembro de 2019, o Governo cabo-verdiano anunciou a construção de dois lotes de blocos habitacionais na ilha da Boavista, por 2,1 milhões de euros, para diminuir o défice habitacional "crítico" nesta que é uma das ilhas mais turísticas do arquipélago.

Cabo Verde possui um défice habitacional aproximado de 8,7%, em termos de agregados familiares, uma percentagem que equivale a 11.119 agregados familiares sem acesso a habitação.

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