Ceuta estima que 60.000 migrantes tenham entrado no enclave nos últimos dias

Ceuta estima que 60.000 migrantes tenham entrado no enclave nos últimos dias

Cerca de 60.000 migrantes entraram no enclave de Ceuta nos últimos dias, tendo-se deslocado por mar e por terra a partir de Marrocos, de acordo com estimativas das autoridades. O número de vítimas mortais subiu para 34. Pedro Sánchez avançou que o Governo espanhol está a acelerar o repatriamento dos marroquinos.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Fabian Bimmer - Reuters

A estimativa avançada esta sexta-feira pelas autoridades de Ceuta ultrapassa largamente o número registado na anterior crise migratória neste enclave, em maio de 2021, quando se calculou que mais de 10.000 migrantes teriam contornado os controlos fronteiriços.

O número de entradas agora estimado representa praticamente 70 por cento na população do enclave, onde estão recenseadas cerca de 83.600 pessoas.

Em conferência de imprensa em Ceuta esta sexta-feira, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o que aconteceu ontem em Ceuta foi "um ataque, uma violação da integridade territorial de Espanha".

"Estamos a acelerar o repatriamento dos migrantes que entraram em Ceuta de forma irregular desde ontem", avançou.

"O Governo de Espanha está do lado de Ceuta. E compreendemos a emoção e a angústia que têm vivido nas últimas horas, em particular desde hoje", declarou o primeiro-ministro.

O líder espanhol afirmou ainda que a crise migratória em curso em Ceuta está relacionada com uma interpretação desonesta "por parte das máfias" de uma recente decisão judicial que se pronuncia sobre a repatriação dos migrantes que chegam por mar.

"O que se depreende das conversações que mantivemos com as autoridades marroquinas é uma interpretação tendenciosa que as máfias de traficantes de seres humanos fizeram de um acórdão do Supremo Tribunal" espanhol, explicou.

De acordo com esse acórdão, "não é possível repatriar para a fronteira as pessoas que tenham chegado a Espanha por via marítima", explicou Pedro Sánchez, acrescentando que "essa interpretação" se tinha "espalhado como fogo nas últimas horas".
Migrantes estão a regressar a Marrocos
Entretanto, o número de migrantes mortos ao tentarem entrar a nado no enclave subiu para 34.

Os migrantes avançaram para a fronteira desde o lado de Marrocos a nado, a pé ou saltando a vedação que existe entre os dois territórios. O dispositivo policial nos dois lados da fronteira não conseguiu travar a avalanche de pessoas.

Esta manhã continuavam a cruzar a fronteira "numerosas pessoas", segundo a agência Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta "amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos", descreveu o jornal El País.

Muitos dos migrantes começaram, entretanto, a seguir as indicações dos militares e a regressar a Marrocos. Estima-se que, até ao início da tarde desta quarta-feira, mais de 25.000 migrantes tenham regressado voluntariamente.

"Milhares de marroquinos regressam ao seu país. A massa mudou de direção. Agora são milhares os que se avistam na praia marroquina a caminho da sua terra, enquanto os últimos que pretendiam entrar em Espanha estão a fazê-lo entre gritos, por água. São infinitamente mais os que saem do que os que entram agora. A situação parece normalizar-se na fronteira", escreveu ao final da manhã o jornal El País.
França reforça fronteira
O ministro francês do Interior, Laurent Nuñez, indicou que iria voltar a reunir-se com o seu homólogo espanhol esta sexta-feira e que previa um reforço dos controlos na fronteira.

"Já ontem (quinta-feira) à noite dei instruções para reforçar sem demora os controlos na fronteira espanhola", escreveu na rede social X. "Temos um controlo na fronteira franco-espanhola. Ele existe e, aliás, foi reforçado nos últimos meses".

"Temos uma força móvel presente permanentemente. É óbvio que tomaremos medidas se houver movimentos em direção ao território nacional. Em todo o caso, reforçaremos, evidentemente, o controlo na fronteira", prosseguiu.

Itália ameaçou, por sua vez, suspender o regime de fronteiras abertas internas da União Europeia.

"Estamos a reunir as autoridades competentes e, após estas reuniões, estamos preparados para agir, inclusive através de medidas excecionais", tais como "a suspensão do acordo de Schengen com Espanha", anunciou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou esta sexta-feira as imagens "inaceitáveis" vindas de Ceuta.

"É preciso pôr fim imediatamente às travessias perigosas. É preciso desmantelar as redes de traficantes de migrantes. E as expulsões devem ser rápidas, tal como previsto nas nossas regras", escreveu na rede social X.

c/ agências
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