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Invasão Ceuta. Itália quer suspender acordo de Espaço Schengen em Espanha
A suspensão espanhola do Espaço Schengen foi proposta pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, após centenas de imigrantes ilegais terem chegado a Ceuta, esta quinta-feira. Madrid denunciou a "demagogia" de Itália e convocou o embaixador italiano, referiu o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha.
A crise surgiu com a chegada ilegal ao enclave espanhol de centenas de migrantes vindos a nado de Marrocos.
Ceuta apelou ao governo central espanhol para declarar uma situação de "emergência nacional", pedido rejeitado por Madrid. O enclave não tem condições para alojar todos os imigrantes chegados nos ultimos dias e em particular esta quinta-feira, com os centros de asilo esgotados.
O ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, vai deslocar-se na sexta-feira a Ceuta, cidade autónoma que pediu ao Governo espanhol o encerramento da fronteira com Marrocos de forma "urgente e inadiável".
O governo espanhol anunciou o envio de soldados para garantir a segurança neste território ao largo da costa norte de África.
Embora o número exato não tenha sido especificado, a Guarda Civil será reforçada com 70 agentes adicionais, que se juntarão aos 80 já presentes, e serão também enviadas equipas de mergulho e embarcações da guarda costeira.
Embora o número exato não tenha sido especificado, a Guarda Civil será reforçada com 70 agentes adicionais, que se juntarão aos 80 já presentes, e serão também enviadas equipas de mergulho e embarcações da guarda costeira.
Em Marrocos, a polícia tem tido dificuldades em conter e dispersar a multidão reunida na localidade de Castillejos, perto da fronteira com Ceuta, segundo constatou a agência de notícias espanhola EFE no local. As autoridades ativaram o dispositivo para travar as tentativas de aproximação ao perímetro fronteiriço e começaram a usar contra a multidão material contra distúrbios, como gás lacrimogéneo e canhões de água.
Milhares de pessoas, maioritariamente jovens oriundos de todo o país, continuam a chegar ao local, com a intenção
de fazer a travessia até à cidade espanhola, uma maré humana de mais de
cinco quilómetros que acabou por sobrecarregar a polícia marroquina.
Marrocos não divulgou até agora dados oficiais sobre o número de detidos, pessoas resgatadas ou mortos por afogamento no mar durante esta crise.
Itália pede suspensão de Schengen
Denunciando as "imagens chocantes" vindas de Ceuta, a
primeira-ministra italiana reagiu, escrevendo, "a Itália não ficará de
braços cruzados".
"Estamos a reunir as autoridades competentes e, após estas reuniões, estamos preparados para agir, inclusive através de medidas excecionais", anunciou, "como a suspensão do acordo de Schengen com Espanha". O
vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros italiano,
Antonio Tajani, já tinha declarado horas antes ser "favorável ao
encerramento do Espaço Schengen com Espanha".
Antonio Tajani, membro do partido Forza Italia (direita
conservadora), aliado de Giorgia Meloni, invocou “as imagens vindas de
Ceuta" para criticar "a decisão do governo de
Madrid, de conceder a cidadania espanhola, e portanto europeia, a mais
de 500 mil imigrantes indocumentados", a qual, acusou, "incentiva o
tráfico de pessoas”.
Matteo Salvini, também vice-primeiro-ministro de Itália e líder da Liga
(extrema-direita), pediu na rede X que se “suspenda o Acordo de
Schengen” e se “defenda as fronteiras da Europa”.
Bruxelas propõe ajuda
Espanha e Marrocos atribuíram esta crise em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países.
Os dois governos anunciaram também um acordo para o repatriamento, "o antes possível", das pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular nos últimos dias.
O comissário Europeu para o Interior e Migração, o austríaco Magnus Brunner, falou hoje com o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, a quem transmitiu "a disponibilidade da UE" para aumentar esta colaboração.
O responsável também afirmou que estão em contacto com as autoridades marroquinas "para garantir que todos os esforços necessários são feitos para evitar estas viagens perigosas".
Os dois governos anunciaram também um acordo para o repatriamento, "o antes possível", das pessoas que entraram em Ceuta de forma irregular nos últimos dias.
O comissário Europeu para o Interior e Migração, o austríaco Magnus Brunner, falou hoje com o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, a quem transmitiu "a disponibilidade da UE" para aumentar esta colaboração.
O responsável também afirmou que estão em contacto com as autoridades marroquinas "para garantir que todos os esforços necessários são feitos para evitar estas viagens perigosas".
As imagens chocantes correram mundo. Nos Estados Unidos,
a Casa Branca atribuiu às "políticas globalistas de extrema-esquerda" de Espanha e outros países europeus a crise migratória em Ceuta.
"O Presidente [Donald] Trump há muito que alerta a Europa para as consequências de continuar a implementar políticas globalistas de extrema-esquerda, como a facilitação da migração em massa. Espanha e outros países que adotaram esta filosofia destrutiva devem corrigir imediatamente o rumo ou correm o risco da sua própria ruína", disse à EFE a secretária de imprensa da Casa Branca, Ana Kelly.
A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) afirmou, quinta-feira à noite, que o afluxo em massa de imigrantes ao enclave espanhol de Ceuta se deve a "múltiplos" fatores, admitindo o efeito de chamada de uma recente decisão judicial.
c/agências