Chade e RCA acordam investigação a ataque de domingo na fronteira

O Chade e a República Centro-Africana (RCA) concordaram com a realização de uma investigação internacional para esclarecer as circunstâncias de um ataque no domingo em que seis soldados chadianos morreram num posto fronteiriço entre os dois países.

Lusa /
Reuters

"As duas partes reconheceram a grave situação e sublinharam a urgência de elucidar as circunstâncias em que este ataque foi executado", disseram os dois países numa declaração conjunta publicada hoje por órgãos de comunicação social locais e citada pela agência noticiosa Efe.

Os dois países concordaram também em criar uma comissão internacional de inquérito independente composta por peritos das Nações Unidas, União Africana (UA) e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC).

N`djamena e Bangui comprometeram-se também a implementar as conclusões da comissão "a fim de trabalhar em conjunto para uma nova base para reforçar a segurança na fronteira comum e evitar que tais infelizes incidentes se repitam no futuro".

O acordo surgiu depois de uma delegação centro-africana composta pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Defesa e Interior ter chegado na terça-feira a N`djamena com o objetivo de reduzir a tensão entre os dois países provocada pelo ataque.

Na segunda-feira, o Governo do Chade acusou o Exército da RCA de ter cometido o ataque que resultou na morte imediata de um soldado e no sequestro de outros cinco que acabaram por ser executados.

O Chade considerou que o Governo da RCA era "totalmente responsável" pela agressão "premeditada", que apelidou de "crime de guerra", sublinhando que Bangui "não pode ficar impune".

Por sua vez, o Governo da RCA assinalou que a morte dos soldados chadianos ocorreu numa troca de tiros durante a perseguição de rebeldes pelo seu Exército.

Estes confrontos "causaram mortes nos lados centro-africano e chadiano, semeando assim desolação, uma vez mais devido às ações da CPC [sigla francesa para Coligação de Patriotas para a Mudança, que reúne vários grupos rebeldes]", justificou Bangui, que reafirmou a sua vontade de reforçar as suas relações com o Chade, tal como acordado em dezembro de 2019.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, após o derrube do então presidente, François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas na anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

Já o Chade é a força militar dominante na região e durante algum tempo desempenhou um importante papel nos esforços africanos para a estabilização da RCA, mas retirou as suas tropas, integradas numa missão apoiada pela ONU, em 2014.

No entanto, as tropas chadianas foram então acusadas de apoiar os rebeldes Séleka, principalmente muçulmanos, no confronto contra a anti-Balaka.

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