Chapo pede "estratégias" à Frelimo porque eleições moçambicanas "já passaram"

O presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), e chefe de Estado, Daniel Chapo, garantiu que para o partido as últimas eleições "já passaram" e pediu a definição de estratégias para "fortalecer a ação política".

Lusa /

"Porque, na Frelimo, as eleições de 2023 [autárquicas] e 2024 [gerais] já passaram e nós estamos a olhar para a frente", disse Daniel Chapo ao intervir na reunião ordinária do comité nacional da Associação dos Combatentes de Luta de Libertação Nacional (ACLLN), a estrutura dos veteranos da Frelimo, que arrancou hoje na Matola, arredores de Maputo.

"Por isso, esta terceira sessão do comité nacional da ACLLN deve ser um momento de debate e reflexão profunda e franca sobre as novas estratégias que a Frelimo deve adotar para fortalecer a ação política, de modo a permitir uma governação mais dinâmica e orientada aos resultados em benefício do povo moçambicano", considerou ainda Chapo, que foi eleito em outubro quinto Presidente de Moçambique, empossado em janeiro, ascendendo no mês seguinte à liderança do partido no poder no país desde 1975.

O chefe de Estado defendeu que nestes dois dias da reunião da estrutura dos veteranos da Frelimo será possível analisar a vida da ACLLN, mas também "do partido e do país, bem como perspetivar ações para a conquista das próximas vitórias".

"Igualmente, iremos eleger o novo secretariado do comité nacional como parte da preparação e organização da nossa vitória nas eleições de 2028 e 2029", apontou, sobre os próximos processos eleitorais no país.

Ainda assim, o também chefe de Estado voltou a referir-se aos quase cinco meses de agitação social pós-eleitoral no país, que desde outubro provocaram cerca de 400 mortos em confrontos com a polícia, além de saques, barricadas, protestos e destruição de património público e privado, "numa altura em que o país se recupera paulatinamente da instabilidade criada pelas manifestações violentas, ilegais e criminosas".

"Mostraram a nova forma de atuação dos inimigos do povo moçambicano, tendo causado luto e sofrimento nas famílias, destruição do património público e privado e instalação de um clima de desordem e terror, bem como o desrespeito para com as instituições e pelos direitos humanos", disse.

"Ficou claro que as manifestações não tinham como causa os resultados eleitorais, pois a vitória da Frelimo, e do seu candidato presidencial, foi clara e os jornalistas e todos os partidos concorrentes conseguiram perceber que esta é a única verdadeira verdade eleitoral", acusou o Presidente.

Em 23 de março, Daniel Chapo e Venâncio Mondlane, candidato presidencial que não reconhece os resultados das eleições gerais de outubro e que convocou os protestos pós-eleitorais, encontraram-se pela primeira vez e assumiram o compromisso de acabar com a violência, tendo voltado a reunir-se em 21 de maio com uma agenda para pacificar o país.

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