Charlottesville: Carro atinge transeuntes após protesto supremacista

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Um carro atingiu várias pessoas que estavam no centro da cidade norte-americana de Charlottesville, após a realização de uma marcha supremacista branca. Há pelo menos uma vítima mortal e 34 feridos a registar.

Nos vários vídeos amadores divulgados nas redes sociais é visível um carro de cor cinzenta que bate de forma violenta na parte traseira de um outro veículo, num embate que visa várias pessoas. O mesmo carro faz uma manobra em sentido inverso a toda a velocidade, alguns segundos depois.

As imagens mostram também várias pessoas estendidas no chão, após os dois embates que visaram um grupo de pessoas que desfilava numa rua estreita contra a marcha do movimento supremacista, que decorrera algumas horas antes, em Charlottesville. 

Há a registar pelo menos uma vítima mortal deste incidente (uma mulher de 32 anos) que decorreu na sequência dos confrontos entre o grupo de nacionalistas e os contra-manifestantes. Segundo responsáveis do estado de Virginia, há pelo menos 35 feridos, 19 dos quais no incidente que envolveu o carro.

Nas redes sociais foi disseminada de imediato fotografia com a matrícula do veículo usado na agressão contra os transeuntes. O condutor já está sob custódia e está a ser tratado como crime de homicídio premeditado, confirmou a polícia local. Contudo, as autoridades não confirmam que este episódio esteja diretamente relacionado com o protesto dos nacionalistas.

Segundo vários testemunhos no local, o carro embateu propositadamente contra um grupo de pessoas que festejava o fim da marcha supremacista "Unir a Direita". Os vídeos divulgados nas redes sociais mostram que este grupo, albarroado pouco depois da entrada na Fourth Street, trazia consigo mensagens contra a extrema-direita.

Em conferência de imprensa, o governador de Virginia, Terry McAuliffe, refere que morreram três pessoas, não esclarecendo em que circunstâncias ocorreram as outras duas mortes. A CNN e o New York Times citam autoridades locais que dão conta da queda de um helicóptero a escassos quilómetros do local dos confrontos e do atropelamento.

"Vão para casa. Não são desejados nesta grande comunidade. Tenham vergonha", disse o governador em conferência de imprensa, depois dos acontecimentos de sábado.
Marcha violenta
O incidente ocorreu cerca de duas horas após os confrontos violentos que envolveram apoiantes de um protesto supremacista branco, incluindo membros do antigo Ku Klux Klan, e pessoas que contestavam essa mesma manifestação, incluindo elementos do movimento Black Lives Matter.

A marcha designada por "Unir a direita" juntou vários grupos de extrema-direita, que transportaram bandeiras confederadas, insígnias nazis e material como capacetes, escudos ou bastões.

O protesto - ilegal - provocou vários feridos e levou mesmo o estado norte-americano de Virginia a declarar o estado de emergência, após os confrontos registados.

Na origem da manifestação esteve a ordem de retirada da estátua de um militar confederado. O general  Robert E. Lee foi oficial do exército de Virginia do Norte durante a Guerra Civil norte-americana. A remoção da estátua de Lee, edificada há quase 100 anos, tem sido alvo de uma batalha legal entre os críticos e defensores do monumento e foi motivo para uma outra manifestação supremacista no início de julho.

As estátuas e bandeiras da Confederação norte-americana, associadas a ideais de racismo, foram abolidas de espaços públicos nos Estados Unidos após o massacre numa igreja de Charleston, na Carolina do Sul, em 2015.

Depois de ter condenado os protestos através do Twitter, Donald Trump fez uma declaração em direto sobre os acontecimentos de Charlottesville e condenou "a intolerância e a violência de todas as partes" frisando ainda que "as feridas do nosso país devem ser curadas".

"Condenamos, nos termos mais fortes possíveis, essa visão flagrante do ódio, da fanatismo e da violência", declarou o Presidente.

c/ Lusa

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