Virginia declara estado de emergência após marcha supremacista

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Estátua de Robert E. Lee, em Charlottesville, na Virginia
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Confrontos entre manifestantes e contra-manifestantes em Charlottesville levaram o estado norte-americano de Virginia a declarar este sábado o estado de emergência. Há registo de vários feridos e detidos. No centro da polémica está a remoção iminente da estátua de um militar confederado. Um acidente junto ao local dos protestos fez "vários feridos", segundo confirmou a polícia.

Radicais racistas, incluindo membros do antigo grupo de extrema-direita Ku Klux Klan, começaram a chegar a Charlottesville, Virginia, na sexta-feira, à noite para um protesto ilegal e que dispersou já este sábado, após terem sido mobilizadas fortes medidas de segurança. 

Mike Signer, mayor de Charlottesville, considerou o protesto como “um desfile cobarde de ódio e intolerância”. 

Entretanto, um acidente ocorrido este sábado entre três veículos, num local onde a polícia tentava dispersar os manifestantes, fez "vários feridos" entre os transeuntes, confirmaram as autoridades através do Twitter.


Antes deste incidente, a marcha “Unir a direita” marcada para hoje tinha reunido vários grupos de extrema-direita que transportavam bandeiras confederadas, insígnias nazis e material como capacetes, escudos e bastões.

Na sexta-feira, a situação mais crítica aconteceu junto ao campus da Universidade de Virgínia, perto da estátua de Thomas Jefferson – um dos pais fundadores dos Estados Unidos – onde o protesto racista encontrou um grupo de contraprotesto, incluindo membros do movimento Black Lives Matter. A situação repetiu-se hoje com mais violência junto à estátua de Robert E. Lee, no Emacipation Park, para onde convergiu o protesto.
Uma estátua polémica
Na origem da manifestação está precisamente a ordem de retirada da estátua do general. Robert E. Lee foi oficial do exército de Virginia do Norte durante a Guerra Civil norte-americana, ao lado dos Estados Confederados. 
 
A remoção da estátua de Lee, edificada há quase 100 anos, tem sido alvo de uma batalha legal entre os críticos do monumento, que acreditam que este fomenta o racismo e homenageia antigos líderes que apoiaram a escravatura. Por outro lado, os defensores da estátua acreditam que a sua remoção seria um ato de revisionismo histórico.

Em declarações à CNN, Jason Kessler, um dos organizadores do protesto deste sábado, disse que não se revê como nacionalista, mas considera que é necessário "defender a história" dos Estados Unidos.

"Esta estátua é simbólica por várias razões. É necessário preservarmos a história contra a censura e o revisionismo (...) e podermos defender os nossos interesses, enquanto pessoas brancas, tal como outros grupos podem defender os seus interesses. Mas isto é também sobre a liberdade de expressão. Estamos simplesmente a tentar exprimir a nossa opinião através de um protesto, mas o governo local tentou calar-nos", acrescentou.

A decisão da retirada do monumento já tinha incitado um violento protesto do Ku Klux Klan, realizado no início de julho, do qual resultaram 23 detenções. Críticos e organizadores do protesto garantem que este foi um dos maiores agrupamentos de nacionalistas brancos nos últimos anos. 

De recordar que as estátuas e bandeiras da Confederação norte-americana, associadas aos ideais de racismo, foram abolidas de espaços públicos nos Estados Unidos desde 2015, depois do massacre numa igreja de Charleston, na Carolina do Sul, em que um supremacista branco fez nove mortos. 
Melania e Donald reagem
De férias em Nova Jérsia, o Presidente dos Estados Unidos, estimado entre alguns movimentos xenófobos e nacionalistas, distanciou-se do protesto numa mensagem publicada no Twitter.

“Todos devemos estar unidos e condenar tudo o que representa o ódio. Não há lugar para este tipo de violência na América. Vamos unir-nos como um só!”, escreveu Donald Trump.


Mas a primeira reação a partir da Casa Branca foi mesmo de Melania Trump, que denunciou o protesto racista deste sábado:


“O nosso país promove a igualdade de expressão. Mas devemos exprimir-nos sem ódio nos nossos corações. Da violência não resulta nada de bom. #Charlottesville”, apontou.  

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