Chávez diz que Mercosul é a maior oportunidade apresentada ao continente em 200 anos
Rio de Janeiro, 31 jul (Lusa) - O Presidente venezuelano, Hugo Chávez, considerou hoje em Brasília que o Mercosul foi a maior "oportunidade histórica" apresentada à América Latina nos últimos 200 anos.
"Essa é a maior oportunidade histórica que em 200 anos foi apresentada no nosso continente", afirmou Chávez durante o seu discurso em Brasília, após a Cimeira Extraordinária do Mercosul, que validou a entrada da Venezuela no bloco.
Chávez agradeceu o apoio dos chefes de estado de Brasil, Argentina e Uruguai, referindo-se à possibilidade de fazer parte do Mercosul como uma "gigantesca oportunidade".
"Estamos na nossa exata perspetiva histórica, o nosso norte é o nosso sul. Estamos onde deveríamos ter estado sempre, estamos a permitirmo-nos ser nós mesmos", afirmou.
O líder venezuelano previu ainda que a entrada de seu país no bloco marcará um período de "aceleração" da história do continente.
"Tenho certeza que a partir de hoje entramos num novo período de aceleração da história que estamos construindo, aceleração da geografia, das mudanças históricas e profundas", completou.
Chávez enalteceu ainda os ex-presidentes dos países membros do Mercosul, em especial Néstor Kirchner, da Argentina; e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil.
"O evento de hoje, a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul, tem alguma semelhança com o dia em que esse povo [do Brasil] elegeu como seu Presidente Luiz Inácio Lula da Silva", afirmou.
Com o novo membro, o Mercosul passa a representa 83 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, com uma economia de 3,3 biliões de dólares (2,68 biliões de euros), e a 70 por cento da população do subcontinente, somando 270 milhões de pessoas.
Como Presidente `pro tempore` do Mercosul, a líder brasileira, Dilma Rousseff, prometeu acelerar os trabalhos técnicos que formalizarão a adoção dos mecanismos de liberalização do comércio.
A primeira reunião do grupo de trabalho está marcada para a última semana de agosto, com a previsão da sua conclusão até dezembro, ainda sobre a presidência brasileira.
Hoje foi a primeira vez que o bloco, criado em 1991, formalizou a entrada de um novo membro.
Representantes de Chile, Colômbia, Peru e Bolívia participam nas reuniões como observadores.