Chefe da ditadura militar birmanesa visita a Rússia para desenvolver "laços de amizade"

O general Min Aung Hlaing, presidente da junta instalada no poder em Myanmar desde o golpe militar de fevereiro de 2021, vai visitar na próxima semana Vladivostok, onde terá reuniões de alto nível com responsáveis russos.

RTP /
DR

Min Aung Hlaing estará presente no Forum Económico do Oriente, na cidade de Vladivostok, no extremo oriental da Rússia. O isolamento internacional da junta birmanesa irá provavelmente fazer que fique excluída de participar na cimeira da ASEAN (Association of Southeast Asian Nations), agendada para novembro na capital cambodjana, Phnom Penh.

Desde o golpe militar, pelo menos 2.200 pessoas foram mortas, e mantém-se um vigoroso movimento de resistência nas cidades e nos campos, que tem vindo a paralizar a economia do país. Condenações à morte contra opositores políticos ou, mais recentemente, uma pena de prisão imposta à ex-embaixadora britânica, têm agravado o isolamento internacional da junta.

A Rússia tem sido a principal fornecedora de armamento à junta militar birmanesa. Já em julho, o mesmo general Min Aung Hlaing tinha realizado uma visita a Moscovo, alegadamente de carácter "privado", na qual se reuniu com responsáveis da agência espacial russa Roscosmos, ao passo que o segundo homem da junta, Soe Win, visitou Moscovo no final de agorsto.

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, tinha visitado Myanmar no início de agosto, louvando os esforços da junta para "estabilizar" o país e para organizar eleições no próximo ano. O anúncio de eleições por parte da ditadura birmanesa tem sido internacionalmente recebido como uma cortina de fumo para manter a brutal repressão em curso.
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