Chega considera que ajuda da UE é insuficiente e "quase envergonha"

Chega considera que ajuda da UE é insuficiente e "quase envergonha"

O eurodeputado do Chega Tiago Moreira de Sá considerou hoje que a assistência prestada pela União Europeia à Venezuela fica "muito aquém" do necessário e "quase envergonha", perguntando à Comissão Europeia se não a tenciona reforçar.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Numa pergunta enviada à Comissão Europeia, Tiago Moreira de Sá defende que, na sequência dos sismos na Venezuela, "importa assegurar que a resposta europeia seja célere, robusta e proporcional à real dimensão da catástrofe e à sua evolução no terreno".

O eurodeputado refere que a Comissão Europeia ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, mobilizou o sistema de satélite Copernicus, para cartografia de emergência, mas "anunciou apenas cinco milhões de euros de ajuda humanitária, a juntar aos 52 milhões de ajuda regular já prevista antes da tragédia".

Tiago Moreira de Sá pergunta assim ao executivo comunitário qual é, "em termos concretos, o apoio de emergência que a União Europeia (UE) já disponibilizou à Venezuela" e "em que medida os cinco milhões de euros anunciados são considerados adequados face à dimensão da catástrofe".

O eurodeputado quer também saber em que consiste a assistência que a Comissão Europeia está a prestar no terreno, "designadamente ao nível das operações de busca e salvamento, apoio médico, alojamento temporário, telecomunicações, cartografia de emergência e proteção das populações mais vulneráveis".

"Que meios adicionais prevê a Comissão mobilizar, em articulação com os Estados-membros, para reforçar a resposta humanitária e apoiar as comunidades afetadas?", pergunta ainda o eurodeputado, num requerimento igualmente assinado por outros eurodeputados dos grupos políticos dos Patrióticos pela Europa, dos Conservadores e Reformistas e não inscritos.

Numa declaração por escrito enviada à agência Lusa, Tiago Moreira de Sá defende que, "perante uma catástrofe humanitária desta dimensão" na Venezuela, "a resposta da UE fica muito aquém do que seria exigível".

"Os cinco milhões de euros anunciados pela Comissão Europeia são manifestamente insuficientes. É um valor que quase envergonha, sobretudo quando comparado com as somas que Bruxelas destina, ano após ano, a programas ideológicos, agendas orientadas partidariamente e iniciativas de dimensão puramente cosmética", afirma.

Para o eurodeputado, "não é aceitável que, perante mortos, desaparecidos e milhares de famílias desalojadas de comunidades ligadas aos Estados-membros, como a portuguesa, a UE se limite a um gesto simbólico".

"Pede-se à Comissão Europeia clareza total sobre o que está efetivamente a ser feito no terreno, quantos meios humanos, logísticos e técnicos foram mobilizados e um compromisso firme de reforço imediato do apoio financeiro e humanitário", defende.

Tiago Moreira de Sá considera que a UE "tem instrumentos, recursos e a obrigação moral de agir à altura da tragédia".

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 2.595 mortos e 12.400 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 84 portugueses e lusodescendentes, e outros 63 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

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