"Chegou a era da ebulição global". Julho deverá ser o mês mais quente desde que há registo

A menos de uma semana do fim de julho, os cientistas já estimam que este será o mês mais quente desde que há registos meteorológicos. A era do aquecimento global acabou e já está em curso “a era da ebulição global”, afirmou esta quinta-feira o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Andreia Martins - RTP /
Imagem de um incêndio na cidade de Lâmia, na Grécia. Foto: Aris Martakos - EPA

Numa altura em que vários países do hemisfério norte enfrentam grandes incêndios e ondas de calor constantes, os cientistas adiantam que este já é o mês mais quente desde que há registo mesmo antes de terminar.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o programa europeu de monitorização do clima Copérnico, é “extremamente provável” que as temperaturas globais batam recordes este mês.

“Não temos de esperar até ao fim do mês para saber. A menos que haja uma mini-Idade do Gelo nos próximos dias, o mês de julho de 2023 vai bater recorde em todo o mundo", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas.

“A mudança climática está aqui. É aterrorizadora. E isto é só o início”, acrescentou Guterres. “Ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC [acima do nível pré-industrial] e evitar o pior das alterações climáticas. Mas apenas com ação climática dramática e imediata”, afirmou esta quinta-feira o secretário-geral das Nações Unidas.

Na mesma linha, o secretário-geral da Organização Meteórológica Mundial, Petteri Taalas, afirmou que “a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito de estufa é mais urgente do que nunca. A ação climática não é um luxo, mas sim uma obrigação”.

Estas estimativas são corroboradas pelos peritos da Universidade de Leipzig, na Alemanha, que estimam uma temperatura média global para este mês cerca de 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais. No passado mês, o planeta registou o mês de junho mais quente desde que há registo. De acordo com os especialistas, o ano de 2023 poderá destronar o ano de 2016 como o mais quente desde 1850. Atualmente, os oito anos mais quentes foram os últimos oito anos.

Assim sendo, o mês de julho de 2023 deverá ultrapassar o de julho de 2019, detentor do recorde anterior nos 174 anos desde que há registos.


“Podemos ter de regressar milhares, senão mesmo dezenas de milhares de anos para encontrar condições semelhantes de calor no nosso planeta”
, refere Michael Mann, cientista climático da Universidade da Pensilvânia, citado pela agência Reuters. Ainda que os registos climáticos concretos sejam relativamente recentes, os cientistas procuram apurar dados prévios através de núcleos de gelo ou de anéis de árvores. Esta análise sugere que a Terra não atingia estas temperaturas desde há 120 mil anos.

“Salvo se houver um grande impacto causado por um asteróide hoje, é praticamente certo que julho de 2023 será o mês mais quente desde que há registos e por uma grande margem. Pessoalmente, acho que a magnitude deste recorde é algo impressionante. Não vemos nada de comparável no registo histórico do mês de julho”, afirmou o cientista climático Zeke Hausfather, citado pelo jornal The Guardian.

A comunidade cientifica espera que este ano e o início do próximo registem temperaturas mais elevadas do que o habitual muito por culpa da emissão de gases com de efeito de estufa, mas também do fenómeno natural El Niño, uma oscilação do vento e água que ocorre em intervalos médios de quatro anos e persiste de seis a 15 meses, pelo que os seus efeitos se deverão estender até 2024.
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