Cheias deixam mais de 230 mil crianças fora da escola em 2026 em Moçambique
A Organização Não-Governamental (ONG) Save The Children estimou hoje que mais de 230 mil crianças vão perder este ano escolar em Moçambique devido aos impactos das cheias e inundações, que já mataram 239 pessoas nesta época chuvosa.
"As crianças no sul de Moçambique estão na linha de frente da crise climática. Inundações consecutivas destruíram as suas escolas e privaram-nas da educação, colocando os seus futuros em risco, e a temporada de ciclones acaba de começar. Milhares de crianças e famílias já sofrem com os impactos de ciclones e emergências climáticas anteriores", disse Ilaria Manunza, diretora Nacional da Save the Children em Moçambique, citada no comunicado da ONG.
A Save The Children estima que mais de 430 escolas foram afetadas pelas inundações, com mais de 840 salas de aula completamente destruídas pelos ventos fortes e pelas águas, referindo que os seus impactos obrigaram o Governo a usar escolas como centros de acomodação.
Alertou ainda para o aumento do número de menores que, a cada ano, não frequentam a escola em Moçambique devido aos impactos das cheias, "aumentando o risco de perda de aprendizagem a longo prazo" e de abandono escolar.
O arranque oficial do ano letivo de 2026 em Moçambique estava previsto para 30 de janeiro, mas o Governo decidiu adiar para 27 de fevereiro, devido às cheias generalizadas no país.
"No entanto, algumas escolas ainda necessitam de grandes reparações, limpeza e desinfeção e não se sabe ao certo se todos os alunos poderão retornar", lê-se no comunicado da ONG.
Segundo a Save The Children, mais da metade dos afetados pelas cheias da presente época das chuvas são crianças, com a organização a indicar que as inundações severas e generalizadas no sul de Moçambique agravaram a emergência, sobretudo após os impactos do ciclone Gezani que afetou principalmente a província de Inhambane, no sul do país.
De acordo com informação consultada pela Lusa na base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), atualizada ao início da manhã de hoje, foram afetadas 868.593 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.739 famílias, havendo também 12 desaparecidos e 331 feridos.
Este balanço contabiliza mais quatro mortos face à atualização de segunda-feira.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos - afetando 724.131 pessoas - e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 41 ainda estão ativos, com pelo menos 33.905 pessoas.