Cheney perde força e prestígio na administração Bush

Dick Cheney, o mais poderoso vice-Presidente da história norte-americana, é hoje uma figura quase invisível dada a crescente falta de credibilidade junto da opinião pública e a reduzida influência junto do Presidente, afirmam fontes governamentais.

Agência LUSA /

Durante os quatro primeiros anos da presidência de George W.

Bush, Dick Cheney era considerado o verdadeiro poder por trás de Bush, um vice-presidente com um enorme gabinete "sombra", controlando todos os aspectos da política da administração, em particular as questões ligadas à segurança e política externa.

Uma visita a Washington por parte de qualquer dignitário estrangeiro tinha que incluir necessariamente um encontro com Cheney para fazer aumentar as possibilidades de êxito.

Mas a guerra no Iraque, escândalos que envolvem o seu chefe de gabinete Lewis "Scooter" Libby, uma "guerra" de bastidores em que o Departamento de Estado está de novo a fazer valer a sua voz em questões de política externa e desacordos públicos com proeminentes membros do Partido Republicano no Congresso sobre o tratamento de presos de guerra, fizeram com que Cheney tivesse nos últimos meses desaparecido dos ecrãs de televisão como porta-voz da "verdadeira" política da administração Bush.

Uma sondagem realizada na semana passada indica que apenas 27 por cento dos norte-americanos têm uma imagem positiva de Cheney, o que, segundo um consultor de relações públicas do Partido Republicano, faz com que o vice-presidente "seja de momento o mensageiro errado", sendo necessário "fazer com que ele desapareça do planeta".

"O vice-presidente nunca mais poderá operar de forma tão independente da Casa Branca como o fez até agora", disse uma fonte da administração Bush.

"Isso está a chegar ao fim", acrescentou.

Dentro da Casa Branca há, contudo, opiniões diferentes sobre as relações pessoais entre Bush e Cheney.

"A relação já não é a que era", disse um funcionário da presidência, reconhecendo que existe agora "uma clara distância" entre os dois homens.

Mas outras fontes dentro da presidência negam que tal seja verdade. Tais afirmações são "categoricamente falsas", garantem.

Todos, no entanto, concordam que o vice-presidente está politicamente enfraquecido.

"É opinião geral que o vice-presidente está politicamente enfraquecido", afirma Steven Clemons, especialista em questões de política externa na Fundação para a Nova América, um centro de estudos sedeado em Washington.

"É obvio que o vice-presidente vai continuar a ter influência, mas provavelmente não a influência que tinha anteriormente," acrescenta.

Para isso poderá ter contribuído Condoleezza Rice que, desde que foi nomeada secretária de Estado, tem batalhado com êxito para reafirmar o papel de liderança do Departamento de Estado em questões de política externa e em defesa de um maior multilateralismo, uma "guerra" que o antigo chefe da diplomacia norte-americana Colin Powell perdeu para Cheney e para o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld.

Fontes no Departamento de Estado referem com visível agrado como Rice insiste em "participar em todas reuniões", levando membros do gabinete de Cheney a tentar organizar encontros durante a ausência de Rice.

Numa recente deslocação ao Canadá, Rice insistiu em participar numa reunião de política externa via vídeo-conferência quando foi informada do encontro na Casa Branca.

Rice, disseram as fontes, insistiu também recentemente que se pusesse termo ao sistema que prevê que mensagens enviadas por membros do Conselho de Segurança Nacional ao Departamento de Estado sejam imediatamente enviadas para o gabinete de Cheney.

"Dick Cheney é uma ilha a afundar-se", realça uma entidade do Departamento de Estado.

Mas, como referem muitos republicanos, o facto de Cheney não ter ambições políticas para o futuro faz com que "o que se diz e as sondagens em nada o perturbem".

"Dick Cheney acredita que o país está em guerra e que quando se está em guerra não se pode estar distraído com este tipo de politiquices", afirma Rich Galen, um consultor eleitoral do Partido Republicano.

"Notícias e sondagens não o afectam em nada", acrescenta, indicando que Cheney continua a ter grande apoio dentro do Partido Republicano.

Juntamente com Bush e o conselheiro político da Casa Branca Karl Rove, Dick Cheney continua a ser parte da "santíssima trindade" do partido, garante.

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