Mundo
Chile polarizado pelas presidenciais evoca 40 anos do golpe de Pinochet
O presidente Sebastián Piñera e a ex-presidente Michelle Bachelet evocaram em separado as quatro décadas passadas sobre o sangrento golpe do general Augusto Pinochet. Bachelet, filha de uma vítima da ditadura, sublinhou o direito do povo chileno a "conhecer a verdade", ao passo que Piñera, depois de admitir violações de direitos humanos sob Pinochet, invocou como atenuante para o golpe uma alegada "agonia dos valores da sociedade chilena" sob o Governo da Unidade Popular.
Com as eleições presidenciais marcadas para 17 de novembro, era de esperar que a recandidata socialista Michelle Bachelet recusasse participar na cerimónia oficial evocativa do golpe, que se realizou a dois quilómetros de distância do cenário que ela própria escolheu para pronunciar o seu discurso.
Bachlelet já uma vez derrotou Piñera, então principal candidato da direita, e é entretanto a grande favorita das eleições de novembro, com o apoio de uma coligação de esquerda ampla, incluindo o Partido Comunista pela primeira vez desde o regresso à democracia.
O seu pai, Alberto Bachelet, foi um general da Força Aérea e, perante o golpe de Pinochet, manteve-se leal ao presidente eleito, Salvador Allende. O general morreu na cadeia, alguns meses depois, após sofrer prolongada tortura, e alegadamente por motivo de colapso cardíaco.
As dúvidas sobre a morte do general têm o valor de um símbolo sobre as numerosas incertezas que ficaram: das 3.214 vítimas mortais das execuções assumidamente levadas a cabo pelos golpistas, cerca de um milhar não apareceram nunca. Outros cálculos admitem um número de 38.000 desaparecidos ao longo dos 13 anos de ditadura.
Missing
O drama dos desaparecidos foi tema do famoso filme de Costa-Gavras, "Missing". O filme refere também a cumplicidade do Departamento de Estado dos EUA, então encabeçado por Henry Kissinger, na ocultação de provas sobre o assassínio de um jovem norte-americano assassinado pelos militares chilenos.Michelle Bachelet não deixou de referir-se a essa questão, ao afirmar, segundo citação do diário espanhol El Pais, que o "exercício de verdade e de reconhecimento não é autocomplacente nem vitimizante, é para conhecer a verdade". E acrescentou que "temos necessidade de conhecer o que aconteceu com as vítimas".
Já o presidente Piñera assumiu um discurso dualista, admitindo por um lado graves violações de direitos humanos por parte de uma ditadura, que aliás nunca designou com esta palavra, e invocando por outro lado o que considerava atenuantes para a iniciativa golpista de Pinochet: "Em 11 de setembro de 1973, um violento golpe de Estado pôs fim à Unidade Popular e deu início a 17 anos de regime militar. No entanto, não se tratou de algo súbito, surpreendente, antes foi um desenlace previsível, embora não inevitável, de uma agonia dos valores da sociedade chilena".
Bachlelet já uma vez derrotou Piñera, então principal candidato da direita, e é entretanto a grande favorita das eleições de novembro, com o apoio de uma coligação de esquerda ampla, incluindo o Partido Comunista pela primeira vez desde o regresso à democracia.
O seu pai, Alberto Bachelet, foi um general da Força Aérea e, perante o golpe de Pinochet, manteve-se leal ao presidente eleito, Salvador Allende. O general morreu na cadeia, alguns meses depois, após sofrer prolongada tortura, e alegadamente por motivo de colapso cardíaco.
As dúvidas sobre a morte do general têm o valor de um símbolo sobre as numerosas incertezas que ficaram: das 3.214 vítimas mortais das execuções assumidamente levadas a cabo pelos golpistas, cerca de um milhar não apareceram nunca. Outros cálculos admitem um número de 38.000 desaparecidos ao longo dos 13 anos de ditadura.
Missing
O drama dos desaparecidos foi tema do famoso filme de Costa-Gavras, "Missing". O filme refere também a cumplicidade do Departamento de Estado dos EUA, então encabeçado por Henry Kissinger, na ocultação de provas sobre o assassínio de um jovem norte-americano assassinado pelos militares chilenos.Michelle Bachelet não deixou de referir-se a essa questão, ao afirmar, segundo citação do diário espanhol El Pais, que o "exercício de verdade e de reconhecimento não é autocomplacente nem vitimizante, é para conhecer a verdade". E acrescentou que "temos necessidade de conhecer o que aconteceu com as vítimas".
Já o presidente Piñera assumiu um discurso dualista, admitindo por um lado graves violações de direitos humanos por parte de uma ditadura, que aliás nunca designou com esta palavra, e invocando por outro lado o que considerava atenuantes para a iniciativa golpista de Pinochet: "Em 11 de setembro de 1973, um violento golpe de Estado pôs fim à Unidade Popular e deu início a 17 anos de regime militar. No entanto, não se tratou de algo súbito, surpreendente, antes foi um desenlace previsível, embora não inevitável, de uma agonia dos valores da sociedade chilena".