China acusa Taipé de abusar da justiça após a detenção de jornalista

A China criticou hoje as autoridades taiwanesas por "abusarem da justiça" após a detenção de um jornalista por alegadamente fornecer informação militar a Pequim, e denunciou que o caso responde a uma prática reiterada de intimidação política.

Lusa /
Dado Ruvic - Reuters

O porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo) chinês, Peng Qing`en, afirmou em conferência de imprensa que "não é a primeira vez que as autoridades do Partido Democrático Progressista (PDP) abusam dos meios judiciais para intimidar e reprimir opositores políticos" e que rotulam de forma "imprudente" terceiros como "infiltrados".

Segundo Peng, o uso de "interesses partidários e pessoais" para fabricar o que ele descreveu como "terror verde" - em alusão à cor associada ao PDP -- e para "incitar a confrontação e a hostilidade através do Estreito" acabará por encontrar oposição.

O porta-voz não avaliou os detalhes concretos do caso judicial nem apresentou provas adicionais sobre as suas acusações.

As declarações de Pequim surgem depois de as autoridades taiwanesas terem ordenado a prisão preventiva de um jornalista identificado como Lin Chen-you e de cinco militares reformados e no ativo, por alegadamente terem fornecido "informação militar relevante" a pessoas ligadas à China continental.

A Procuradoria sustenta que os implicados podem ter violado a Lei de Segurança Nacional, a Lei Anticorrupção e o Código Penal da ilha.

De acordo com a imprensa local, o jornalista detido trabalhava para a CTi News, um órgão de comunicação cuja linha editorial é considerada favorável à melhoria das relações com Pequim.

A CTi News pediu um processo "justo e equitativo" e negou que as suas instalações tivessem sido revistadas.

O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan, por sua vez, garantiu que mantém um "alto nível de alerta" face a supostas manobras de infiltração e encorajou a denúncia de qualquer atividade irregular dentro das Forças Armadas.

Os casos de espionagem ganharam ainda mais relevância mediática em Taiwan depois de o líder da ilha, William Lai, ter definido no ano passado a China como uma "força externa hostil" e anunciado um conjunto de medidas para conter os crescentes atos de "infiltração" de Pequim em território taiwanês.

As autoridades de Pequim consideram Taiwan "parte inalienável" do território chinês e não descartam o uso da força para assumir o seu controlo, uma postura rejeitada pelo Executivo de Taipé, que sustenta que apenas os 23 milhões de taiwaneses têm o direito de decidir o seu futuro político.

 

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