China adverte que questão de Taiwan é "linha vermelha"

China adverte que questão de Taiwan é "linha vermelha"

O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, afirmou hoje que Pequim não permitirá que "ninguém nem nenhuma força voltem a separar Taiwan da China" e advertiu que a questão da ilha constitui uma "linha vermelha" para o país.

Lusa /
Foto: Maxim Shemetov - Reuters

"Taiwan é um assunto interno da China e está no centro dos seus interesses fundamentais. Esta linha vermelha não pode ser ultrapassada nem pisoteada", declarou o chefe da diplomacia chinesa durante a conferência de imprensa anual realizada à margem da sessão da Assembleia Popular Nacional (APN), o principal evento político anual do país.

Segundo Wang, quanto mais a comunidade internacional apoiar o princípio de "uma só China", mais estarão garantidas "a paz e a estabilidade" no estreito de Taiwan.

O ministro afirmou que existe um "consenso internacional esmagador" sobre esta questão e que cada vez mais países se opõem às iniciativas de independência da ilha e apoiam a reunificação chinesa.

Wang acusou ainda as autoridades do Partido Progressista Democrático (PPD) de Taiwan de manterem uma posição separatista, que considerou ser a principal causa das tensões no estreito.

"O processo histórico para resolver o problema do separatismo e alcançar a reunificação completa da pátria é imparável. Quem segue o caminho correto prospera, quem se opõe a ele perece", acrescentou.

Na mesma conferência de imprensa, Wang criticou também o Japão por, segundo disse, "interferir em assuntos relacionados com Taiwan", após declarações recentes da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que admitiu a possibilidade de as Forças de Autodefesa japonesas intervirem em caso de conflito no estreito.

O ministro questionou que direito teria Tóquio de invocar a autodefesa coletiva nesse cenário e advertiu que tal posição poderia contrariar a constituição pacifista japonesa, que renuncia ao direito de beligerância.

Wang recordou ainda que o militarismo japonês utilizou no passado o pretexto de ameaças à soberania chinesa para justificar agressões, acrescentando que os povos da China e de outros países asiáticos permanecem atentos a essas questões.

As tensões entre Pequim e Tóquio agravaram-se nos últimos meses, depois de declarações de dirigentes japoneses sobre Taiwan e de medidas de pressão económica adotadas pela China, incluindo restrições à exportação de minerais críticos e recomendações oficiais para evitar viagens ao Japão.

A situação coincide com o reforço político de Takaichi, cujo Partido Liberal Democrático conquistou em fevereiro uma maioria de dois terços na Câmara Baixa após eleições antecipadas.

A China reclama a soberania sobre Taiwan, território que se governa de forma autónoma desde 1949, e não excluiu o uso da força para alcançar a reunificação.

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