China apela aos EUA que cumpram obrigações para com a Organização Mundial de Saúde
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China considera que o corte no financiamento da OMS por parte dos Estados Unidos é negativo e vai afetar todos os países do mundo. Donald Trump anunciou ontem que vai lançar uma investigação à OMS e suspender o que está a pagar à Organização até que haja conclusões desse inquérito. As reações à decisão sucedem-se em todo o mundo.
“Não é o momento”
A decisão originou críticas de vários quadrantes. António Guterres, secretário-geral da ONU, afirmou que este "não é o momento de reduzir o financiamento das operações" da Organização Mundial da Saúde ou de qualquer outra instituição humanitária que esteja na linha da frente do combate ao vírus.
“Um dos melhores investimentos”
A Alemanha considera, inversamente ao que defendeu Trump, que fortalecer a OMS é um dos melhores investimentos nesta altura.
“Apontar culpas não ajuda. O vírus não conhece fronteiras”, refere no Twitter Heiko Maas, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros.
“Temos de trabalhar em conjunto contra a covid-19. Um dos melhores investimentos é o de fortalecer as Nações Unidas, especialmente a sub-orçamentada OMS, para por exemplo desenvolver e distribuir testes e vacinas”, reforça.
Schuldzuweisungen helfen nicht. Das Virus kennt keine Grenzen. Wir müssen gegen #COVID19 eng zusammenarbeiten. Eine der besten Investitionen ist es, die @UN, allen voran die unterfinanzierte @WHO, zu stärken, z.B. bei der Entwicklung und Verteilung von Tests und Impfstoffen. https://t.co/ugVbnZFx7R
— Heiko Maas 🇪🇺 (@HeikoMaas) April 15, 2020
A Associação Médica Americana considera ser este um “passo perigoso”. O presidente Dr. Patrice Harris considerou que este passo de Trump “não tornará mais fácil derrotar a covid-19.”
Idêntica crítica é endereçada pelo perito em doenças infeciosas da Johns Hopkins University Center. O Dr. Amesh Adalja, diz que este é “um movimento que envia uma mensagem errada no meio de uma pandemia”.
Adalja considera que a OMS tem feito erros, até na resposta tardia ao surto de Ébola em 2013 e 2014, em África. Defende que são necessárias reformas, mas considera que isso deve acontecer depois da pandemia.
“Não é no meio da pandemia que se faz uma coisas destas”, considera.
“Isto não é mais do que uma tentativa do presidente Trump para distrair do facto de que ele próprio desvalorizou a gravidade da crise do coronavírus e de que a sua administração falhou em preparar a nação”, diz Chair Leslie Dach, que foi a coordenador global do Ébola para os EUA.
“A OMS terá culpas, mas está para lá da irresponsabilidade cortar fundos neste momento da pandemia global. Este passo irá, sem dúvida, pôr os americanos em menor segurança”, considera.
Primeiro-ministro da Austrália apoia críticas
Scott Morrison diz estar em sintonia com o presidente nas críticas à OMS, por exemplo quanto aos mercados chineses de animais vivos. “Dito isto, a OMS é também uma organização que tem muito trabalho importante”, dizendo que não é hora de tirar o tapete à organização, mas reforçando que não estão imunes a críticas.
A primeira ministra da Nova Zelândia Jacinda Ardern considera, por seu turno, que “num momento em que precisamos de partilhar informação e em que precisamos de conselhos nos quais possamos confiar, a OMS providenciou isso. Vamos continuar a apoiar a OMS e vamos continuar a pagar as nossas contribuições”.