China apela aos seus cidadãos para abandonarem Essuatíni, aliado de Taipé

China apela aos seus cidadãos para abandonarem Essuatíni, aliado de Taipé

A China apelou aos seus cidadãos para abandonarem "o mais rapidamente possível" Essuatíni, país da África Austral que é um dos poucos Estados no mundo a manter relações diplomáticas com Taiwan, ilha reivindicada por Pequim.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O anúncio foi oficialmente justificado por razões de segurança, mas ocorre três meses e meio após uma visita a Essuatíni do Presidente taiwanês, William Lai Ching-te, que Pequim acusa de defender posições separatistas.

"A situação de segurança em Essuatíni é atualmente complexa. As atividades criminosas relacionadas com fraude `online` e jogos de azar ilegais são frequentes e os riscos em matéria de segurança pública, entre outros, são extremamente elevados", indicou na terça-feira o serviço consular do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

Neste contexto, as autoridades chinesas "desaconselham os cidadãos chineses a deslocarem-se a Essuatíni num futuro próximo" e apelaram aos cidadãos e instituições que já se encontram no país para que "saiam o mais rapidamente possível", segundo um comunicado divulgado na rede social chinesa WeChat.

A China considera Taiwan uma das suas províncias, que pretende "reunificar" com o restante território desde o fim da guerra civil chinesa, em 1949. Pequim afirma privilegiar uma reunificação pacífica, mas não exclui o recurso à força e tem intensificado a pressão militar sobre a ilha.

Essuatíni, anteriormente denominado Suazilândia, é um pequeno reino situado no sudeste do continente africano, entre a África do Sul e Moçambique, e o único Estado africano que mantém relações diplomáticas com Taiwan.

Lai visitou Essuatíni no início de maio. A deslocação estava inicialmente prevista para abril, mas foi adiada depois de as Seicheles, Maurícia e Madagáscar terem revogado as autorizações de voo do líder taiwanês na sequência de "fortes pressões" de Pequim, segundo Taipé.

A presidência taiwanesa é ocupada desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista (DPP), tradicionalmente favorável a uma identidade taiwanesa distinta da China, o que contribuiu para o agravamento das relações entre Taipé e Pequim, embora os intercâmbios económicos e culturais tenham prosseguido.

Apenas 12 Estados mantêm atualmente relações diplomáticas formais com Taiwan, entre os quais o Vaticano, o Paraguai e vários países da América Latina e das Caraíbas.

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