China apreensiva com situação no Estreito de Taiwan

A situação no Estreito de Taiwan ao longo de 2022 foi "séria" e "complexa", afirmou esta quarta-feira um porta-voz do governo chinês, apontando que Pequim "tomou a iniciativa" de "unir compatriotas" em ambos os lados.

Lusa /
No Estreito de Taiwan vive-se um clima de tensão permanente Reuters

"Adotámos uma série de medidas fortes para esmagar todas as formas de provocação", disse Ma Xiaoguang, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado, o executivo chinês, acrescentando que as "atividades separatistas" e a "interferência de forças estrangeiras" ameaçam "seriamente" os interesses fundamentais da nação chinesa.

"No novo ano, a estratégia para resolver a questão de Taiwan será aderir ao princípio da reunificação pacífica", explicou Ma, observando que a "estratégia de Taiwan de contar com países estrangeiros para alcançar a independência" está "condenada ao fracasso", depois de o número de visitas à ilha de deputados e representantes políticos de vários países ter aumentado, no ano passado.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso Taipé declare formalmente a independência.

Nos últimos anos, as incursões de jatos da Força Aérea chinesa no espaço aéreo de Taiwan intensificaram-se e, em agosto passado, após a então presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi, se deslocar a Taiwan - a visita de mais alto nível realizada pelos Estados Unidos à ilha em 25 anos - Pequim lançou exercícios militares numa escala sem precedentes, que incluíram o lançamento de mísseis e o uso de fogo real.

Ma Xiaoguang apelou à "exploração de novos caminhos para a integração" das áreas localizadas no Estreito de Taiwan e ao "apoio" dos empresários do território "a um novo modelo de desenvolvimento", acrescentando que a maioria da opinião pública taiwanesa "quer a paz, estabilidade e desenvolvimento".

Em 26 de dezembro, Taipé denunciou a presença de 71 aviões chineses nas proximidades da ilha.

 

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