China cancela sem explicações estreia de filme sobre confinamento de Wuhan
O filme chinês "Heróis de Branco", sobre o confinamento da cidade de Wuhan durante a pandemia de covid-19, não chegou hoje aos cinemas, apesar de ter estreia anunciada, seis anos após as filmagens e após críticas nas redes sociais.
As plataformas chinesas de venda de bilhetes Taopiaopiao e Maoyan não disponibilizavam hoje sessões para o filme, sem que os responsáveis pela produção tenham anunciado publicamente os motivos do aparente adiamento.
Realizado pelo cineasta de Hong Kong Herman Yau e protagonizado por Andy Lau e pela atriz chinesa Yang Zishan, o filme tinha estreia anunciada em toda a China para 06 de novembro, depois de permanecer seis anos sem chegar às salas de cinema.
A ausência de bilhetes gerou perplexidade entre alguns utilizadores da plataforma Taopiaopiao, onde surgiram hoje comentários a questionar o paradeiro da produção.
"Não era hoje a estreia? Porque é que não está disponível?", escreveu um utilizador, enquanto outro perguntou "Quando é que estreia?". Um terceiro lamentou que, depois de tanto tempo de espera, o filme tenha voltado a ser retirado da programação.
Surgiram também mensagens favoráveis à produção, incluindo a de um internauta que escreveu: "Que o estreiem, quero vê-lo, independentemente do que digam os críticos".
Outros utilizadores questionaram, porém, a pertinência de recuperar nos cinemas um período que continua a ser doloroso para parte da população.
O filme recria os 76 dias de confinamento de Wuhan, entre janeiro e abril de 2020, através das experiências de profissionais de saúde, pacientes e residentes que enfrentaram as consequências do aparecimento do novo coronavírus.
O `trailer`, divulgado em 17 de outubro, juntamente com o anúncio da estreia, mostra hospitais sobrelotados, restrições à circulação, escassez de abastecimentos e famílias separadas pelas medidas de isolamento.
As filmagens terminaram em dezembro de 2020, poucos meses depois do levantamento do confinamento, mas não foram divulgadas as razões pelas quais a produção permaneceu seis anos sem chegar aos cinemas.
O anúncio da estreia já tinha suscitado reações divergentes nas redes sociais chinesas, com alguns utilizadores a rejeitarem a possibilidade de reviver as dificuldades daqueles meses e outros a defenderem a importância de recordar quem enfrentou a emergência sanitária.
Wuhan permaneceu confinada durante 76 dias no início de 2020, numa das primeiras e mais rigorosas medidas de isolamento adotadas durante a pandemia.
A medida antecedeu a política chinesa de "covid zero", assente em confinamentos em massa, encerramento de fronteiras, testes PCR generalizados e quarentenas obrigatórias, que se manteve até ao final de 2022.