China detém membros de igreja protestante não registada

China detém membros de igreja protestante não registada

As autoridades chinesas detiveram vários membros da igreja protestante Early Rain Covenant, sediada na província de Sichuan, num novo episódio de repressão a igrejas não reconhecidas oficialmente, denunciou hoje o Observatório dos Direitos Humanos (ODH).

Lusa /

Num relatório, a organização não-governamental, conhecida como Human Rights Watch em inglês, afirmou que pelo menos seis fiéis foram detidos, incluindo o atual líder da igreja, Li Yingqiang, cujo domicílio na cidade de Deyang, em Sichuan, foi alvo de uma rusga da polícia, esta terça-feira.

"O Governo chinês começou o novo ano com novas detenções de membros de igrejas protestantes clandestinas", disse Yalkun Uluyol, investigador do ODH para a China.

Entre os detidos estão ainda Dai Zhichao, Ye Fenghua, Yan Hong e Zeng Qingtao. Outros dois fiéis, Shu Qiong e Wu Wuqing, foram convocados pela polícia, tendo este último sido libertado com um aviso para não "se envolver no caso", lê-se no relatório.

A organização instou as autoridades a libertar "de imediato" os detidos e a garantir que os familiares recebem informações sobre o seu paradeiro e que estes têm acesso a advogados à sua escolha.

A organização denunciou ainda o uso recorrente do crime de "provocar distúrbios e criar problemas" para reprimir a liberdade religiosa.

O caso ocorre semanas após a detenção de cerca de 100 membros da igreja protestante Yayang, na cidade de Wenzhou, província de Zhejiang. Pelo menos duas dezenas de fiéis continuam detidos e, segundo a organização cristã norte-americana China Aid, centenas de polícias rodearam a igreja no início de janeiro, com maquinaria pesada, aparentemente para demolir o edifício.

Em outubro, foi lançada uma operação nacional contra a igreja protestante Zion, com a detenção de quase 30 pastores e fiéis em sete cidades, incluindo Pequim e Xangai. O fundador da igreja, Ezra Jin Mingri, está entre os detidos.

O ODH lembrou que as autoridades chinesas já visam a igreja Early Rain há vários anos. Em 2018, mais de uma centena de congregantes foram detidos em Chengdu. O pastor fundador, Wang Yi, foi condenado a nove anos de prisão por "incitamento à subversão do poder do Estado" e "operações comerciais ilegais". Qin Defu, outro líder da igreja, cumpre quatro anos de prisão, e o atual líder, Li Yingqiang, já tinha sido detido em setembro de 2024.

O ODH denunciou ainda o quadro legal que exige que todas as organizações religiosas se registem junto do Estado, ficando sob controlo da Frente Unida, o órgão do Partido Comunista Chinês que supervisiona as religiões. Igrejas protestantes enfrentam pressão constante para se integrarem no Movimento Patriótico das Três Autonomias, a organização oficial que supervisiona o protestantismo na China.

Desde 2016, sob a liderança do Presidente Xi Jinping, as autoridades intensificaram os esforços "para `sinizar`" a religião, promovendo maior controlo ideológico, lê-se ainda no comunicado. Templos foram demolidos, cruzes removidas, fiéis impedidos de se reunir, aplicações religiosas e Bíblias digitais banidas, e materiais não autorizados confiscados.

"A governação de Xi Jinping tem intensificado o controlo ideológico e a intolerância a lealdades externas ao Partido Comunista Chinês", afirmou Uluyol.

"Os governos e líderes religiosos preocupados com esta realidade devem pressionar Pequim a libertar os detidos e a respeitar a liberdade religiosa", apontou.

 

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