China diz que protecionismo equivale a "fechar-se numa sala escura"
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou hoje que "o protecionismo é como fechar-se numa sala escura" e criticou que "alguns países ergam barreiras tarifárias, tentando desassociar as cadeias de abastecimento", numa referência velada aos Estados Unidos.
Segundo Wang Yi, essa "sala escura" pode parecer que "protege do vento e da chuva, mas na realidade impede a entrada de luz solar e ar fresco".
Em resposta a uma pergunta sobre o possível impacto da crise no Irão na prevista visita do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao país asiático no final do mês, Wang defendeu que Pequim e Washington devem "tratar-se com sinceridade e confiança" e apelou à necessidade de "preparativos exaustivos" e de "criar um ambiente adequado" nas relações bilaterais, embora não tenha confirmado a viagem anunciada pela Casa Branca.
As declarações foram feitas durante a conferência de imprensa anual do chefe da diplomacia chinesa, realizada no âmbito da sessão da Assembleia Popular Nacional, o principal evento político anual da China.
O ministro manifestou esperança de que as duas maiores potências mundiais "alcancem resultados que satisfaçam ambos os povos e cheguem a um consenso acolhido pela comunidade internacional", acrescentando desejar que 2026 seja um ano crucial para o desenvolvimento saudável, estável e sustentável das relações entre a China e os Estados Unidos.
Contudo, Wang lamentou que "a economia mundial enfrente dificuldades e que a globalização esteja a sofrer retrocessos" e classificou as barreiras tarifárias como "tentar apagar um fogo com lenha".
"Os problemas que a globalização económica enfrenta só podem ser resolvidos através de um desenvolvimento mais sustentável e de uma governação mais justa e eficaz", acrescentou o ministro, que descreveu a China como "o motor mais estável do crescimento global".
Segundo Wang, a China "cumprirá a sua responsabilidade como fábrica do mundo" e desempenhará "um papel vital como mercado global".
Nos últimos anos, e especialmente após a guerra comercial desencadeada no ano passado por Trump, a China tem reiterado a sua condenação ao "protecionismo" e defendido "um sistema multilateral de comércio com a Organização Mundial do Comércio no centro".
As declarações de Wang surgem quando Pequim e Washington preparam uma sexta ronda de negociações comerciais, que, segundo o jornal de Hong Kong South China Morning Post, poderá realizar-se no final da próxima semana em Paris para discutir possíveis acordos sobre tarifas, investimento, soja ou terras raras antes da eventual visita de Trump.
A eventual deslocação ocorre também após a recente decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos de declarar ilegais algumas das tarifas promovidas por Trump, o que acrescentou incerteza à trégua comercial de um ano acordada entre as duas potências em outubro passado.