China e EUA divergem no apoio a países insulares do Pacífico
A China comprometeu-se a abrir os seus mercados aos países insulares do Pacífico e a reforçar o apoio à luta contra as alterações climáticas, à medida que Washington retira o apoio àquela região estratégica.
Após uma cimeira na cidade chinesa de Xiamen com os homólogos de 11 países insulares do Pacífico Sul, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, prometeu a doação de dois milhões de dólares (1,75 milhão de euros) para combater as alterações climáticas na região e ofereceu-se para acelerar as negociações de acordos comerciais bilaterais ao abrigo dos quais a região poderia exportar mais para a China.
A postura de Pequim surge em contraste com o governo norte-americano de Donald Trump que, após tomar posse em janeiro passado, decidiu eliminar mais de 90% dos contratos de ajuda externa da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e 60 mil milhões de dólares (58 mil milhões de euros) em assistência geral em todo o mundo.
Trump impôs ainda taxas alfandegárias sobre produtos oriundos do exterior, incluindo dos países mais pobres, e retirou-se das negociações sobre o clima.
Num comunicado conjunto emitido após a cimeira de dois dias, os países destacaram os progressos realizados em matéria de projetos de infraestruturas e de assistência, bem como a expansão dos intercâmbios em vários domínios económicos e sociais.
No documento afirmou-se que "a assistência da China aos países insulares do Pacífico não está sujeita a condições políticas, não visa terceiros e não fornece 'cheques em branco'", ao mesmo tempo que exortou estas nações a defenderem a sua autonomia e a darem prioridade ao desenvolvimento.
"A China declarou que continuará a dar apoio e assistência aos países insulares do Pacífico para desenvolverem as suas economias e melhorarem as condições de vida das suas populações, dentro das suas possibilidades", lê-se no texto, publicado no portal do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
As duas partes concordaram em identificar questões prioritárias de cooperação, incluindo a resposta às alterações climáticas, redução da pobreza e desenvolvimento, prevenção de catástrofes, agricultura e formação policial.