China e Japão trocam acusações na ONU por causa de ilhas
A China e o Japão trocaram palavras duras na Assembleia Geral das Nações Unidas por causa da disputa territorial sobre as ilhas do mar do sudeste da China . O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês acusou o Japão de ter “roubado” as ilhas que são reclamadas por Pequim. O representante japonês respondeu que não há provas históricas de que o pequeno arquipélago fosse pertença dos chineses e afirmou que o interesse da China e de Taiwan nas mesmas apenas se manifestou nos últimos quarenta anos. Apesar dos apelos à calma por parte dos Estados Unidos a disputa já levou a vários incidentes no mar em torno das ilhas e está a prejudicar as relações comerciais entre os dois países.
Ilhas "roubadas"
Foi assim que a China aproveitou o seu discurso anual na Assembleia Geral da ONU para dizer que o Japão fez o equivalente a “lavagem de dinheiro”, quando comprou as ilhas “roubadas” à China.
O governo de Tóquio comprou este mês as ilhas ao seu proprietário nipónico, para evitar que estas fossem adquiridas por nacionalistas japoneses que se preparavam desafiar as pretensões chinesas.
No entanto, o gesto que alegadamente se destinava a ser apaziguador foi mal recebido pela China onde o nacionalismo e o sentimento anti japonês também têm vindo a crescer de forma alarmante.
Segundo a versão da história que o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês defendeu na ONU, as ilhas são pertença da China desde a antiguidade e foram apreendidas em 1895, depois de o Japão ter derrotado a dinastia Quing numa guerra com os chineses.
“Os passos dados pelo Japão são totalmente ilegais e inválidos”, afirmou o ministro Yang Jiechi, “não podem mudar de nenhuma forma o facto histórico de que o Japão roubou a ilha Diaoyudao e as ilhotas adjacentes e que é a China que tem soberania sobre elas”.
Japão rebate argumentos da China
O Japão exerceu então o seu direito de resposta no debate na Assembleia Geral das Nações Unidas, para reafirmar a posição oficial do governo de Tóquio.
Na versão da história contada pelo vice embaixador japonês da ONU, não existe qualquer disputa sobre a soberania das ilhas, e o Japão começou a explorar e a mapear as mesmas pelo menos uma década antes de decidir incorporá-las no seu território em 1895. Segundo disse Kazuo Kodama , não existem provas de que as ilhas pertencessem antes à China.
“Foi só desde os anos 70 [do século XX] que as autoridades da China e de Taiwan começaram a reclamar soberania territorial sobre as ilhas Senkaku [o nome pelo qual são conhecidas no Japão] “, disse o vice embaixador japonês.
Não se deixando ficar calado, o embaixador chinês na ONU, Li Baodong, veio então ao terreno acusar o seu colega japonês de “recorrer a argumentos espúrios e falaciosos que desafiam toda a razão e a lógica”.
China: Ilhas são "território sagrado"
A China declarou as ilhas “território sagrado” e Taiwan também veio reclamar soberania sobre a área.
O facto de a China estar neste momento envolvida num conturbado processo de transição de liderança entre gerações de dirigentes do Partido Comunista, e de o governo japonês enfrentar eleições no próximo ano não ajuda à distensão, pois nenhum governante dos dois países quer parecer “fraco” aos olhos da população.
A troca de galhardetes entre os dois países na Assembleia-geral tinha sido precedida por uma reunião tensa à margem do plenário, entre os ministros dos negócios estrangeiros da China e do Japão, com o representante nipónico a pedir para o assunto ser resolvido através de negociações e a ser admoestado pelo seu homólogo chinês.
De pouco parecem ter servido os esforços da Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que, à margem da Assembleia, tinha apelado às duas partes para manterem “as cabeças frias” e impedirem o assunto de sofrer uma escalada.
Os Estados Unidos temem que enfrentamentos como os que existiram este mês entre navios da China, Taiwan e Japão possam levar a um incidente involuntário que provoque um conflito mais generalizado.
Washigton entre dois fogos
Washington tem vindo a repetir que não quer tomar partidos sobre esta disputa territorial mas acredita que a Pequim e Tóquio devem resolver a questão pacificamente. No entanto, os EUA confirmaram que o tratado de segurança assinado entre a América e o Japão se aplicaria às ilhas na eventualidade de um ataque militar.
Para já as primeiras baixas desta “guerra fria” são as relações comerciais. Várias companhias japonesas, muitas delas gigantes mundiais do ramo automóvel, suspenderam a produção na China e os compradores chineses e vendedores japoneses de cobre refinado adiaram, sem explicações, um importante acordo para os fornecimentos do minério em 2013.