China e Rússia reiteram oposição a mudança de regime na Síria

Nova Iorque, 01 fev (Lusa) - A Liga Árabe pediu na terça-feira o apoio do Conselho de Segurança para um plano político de transição na Síria, mas China e Rússia reiteraram a oposição a uma resolução do organismo que leve a uma "mudança de regime".

Lusa /

O presidente do conselho ministerial da Liga Árabe, Sheikh Al Thani, e o secretário-geral da organização, Nabil Elaraby, foram à ONU pedir a aprovação da proposta de resolução em cima da mesa do Conselho de Segurança, para uma "transição política" que passa pelo afastamento do presidente sírio Bashar Al-Assad e leva a eleições livres.

Ambos fizeram um balanço dramático da situação humanitária na Síria e deram conta da falta de cooperação do regime sírio, que "mantém a sua máquina assassina efetivamente a funcionar", nas palavras de Al Thani.

A violência de Damasco contra o povo sírio, argumentou o também primeiro-ministro do Qatar, pode "constituir crimes de guerra", pedindo "ao Conselho de Segurança que assuma as suas responsabilidades".

Procurando lidar com os receios da China e Rússia, que rejeitam a "ingerência" do Conselho em assuntos internos, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, rejeitou qualquer tipo de intervenção militar e violação da soberania síria.

Para dar maior peso à reunião de terça-feira, foram à ONU a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e os seus homólogos de França, Alain Juppé, Reino Unido, William Hague, Portugal, Paulo Portas, além dos de Marrocos e Guatemala.

Apresentada por Marrocos e apoiada pelos países ocidentais, entre os quais Portugal, a resolução apela a uma cessação imediata das hostilidades.

Em cima da mesa está uma outra resolução, mais branda para com o regime de Damasco, apresentada pela Rússia, que vetou em outubro de 2011 um anterior texto ocidental sobre a Síria.

No final da reunião, Hillary Clinton afirmou que o "trabalho duro" para chegar a uma "declaração clara de apoio à iniciativa da Liga Árabe" vai continuar nos próximos dias e que vai falar com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov.

"O que é importante é a determinação demonstrada hoje tão claramente pela Liga Árabe e que a maioria de membros no Conselho considera que é preciso agir", disse.

Na câmara do Conselho de Segurança, Clinton resumiu as opções dos Estados-membros a "estar com o povo da Síria e a região ou tornar-se cúmplice da violência" e rejeitou o cenário de uma "nova Líbia", sublinhando que o plano árabe é de uma "transição política que preserve as unidades e instituições" do país.

Alain Juppé afirmou ainda que o bloco ocidental "não tem intenção de impor um regime do exterior" e que se trata de uma iniciativa árabe.

Vitaly Churkin, embaixador russo na ONU, disse ser "possível e necessário" chegar a um consenso e considerou positivo encontrar elementos da sua proposta de resolução na de Marrocos.

Mas, tal como a China, afirmou que a ameaça de sanções ou uso de força podem alimentar o conflito e defendeu que a prioridade devem ser negociações, que Moscovo se predispõe a organizar, sem condições.

Uma interferência do Conselho para promover uma "mudança de regime" seria uma "violação da Carta da ONU e dos tratados internacionais", disse Li Baodong, embaixador chinês.

A posição russa e chinesa foi de maior abertura a negociações em anteriores reuniões sobre a Síria, mas o chefe da diplomacia britânica mostrou-se cético no final.

"Teremos de ver nas próximas horas e dias", disse William Hague.

Numa longa intervenção, Ibrahim Jaafari, embaixador sírio na ONU, rejeitou uma "intervenção estrangeira" e defendeu que o povo sírio é capaz de resolver os seus problemas.

Acusou ainda "alguns Estados não-árabes" de estarem "determinados em destruir a Síria".

 

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