China exorta Japão a seguir a atitude da Alemanha face à II Guerra Mundial
A imprensa oficial chinesa elogiou hoje a posição da Alemanha sobre a II Guerra Mundial, contrapondo-a à "desgraçada" atitude do governo japonês, acusado por Pequim de "tentar branquear as atrocidades" cometidas pelo Japão durante o conflito.
"Remorso da Alemanha evidencia desgraça do Japão", diz um jornal do Partido Comunista Chinês (PCP) num editorial dedicado ao discurso proferido segunda-feira em Tóquio pela chanceler alemã, Angela Merkel.
Ao evocar o 7.º aniversário do final da II Guerra Mundial, a chanceler alemã disse que o seu país "teve sorte em ser aceite pela comunidade internacional depois da horrível experiência a que a Alemanha sujeitou o mundo durante o período nazi e o Holocausto".
"Isto foi possível porque a Alemanha enfrentou decididamente o passado, mas também porque as potencias aliadas que controlaram a nação alemã depois da II Guerra Mundial atribuíram grande importância ao seu confronto com o respetivo passado", acrescentou a chanceler.
O discurso de Merkel é uma das manchetes de hoje do Global Times, jornal de inglesa do grupo Diário do Povo, órgão central do PCC, e também do China Daily.
"Merkel diz ao Japão para enfrentar o passado", proclama o China Daily.
Segundo o Global Times, a atitude da Alemanha "ajudou a Alemanha a reconquistar a sua dignidade", enquanto para o Japão, a posição face ao passado "assassina a sua reputação".
A China acusa insistentemente o Japão de "falta de sinceridade" acerca do passado e de "negar os seus crimes".
"Nem a China nem a Coreia do Sul tencionam estigmatizar o Japão pelas suas atrocidades do passado e este país faria melhor se parasse de ser paranoico e carregar a desgraça sobre a sua própria cabeça. O nordeste da Ásia necessita de se unir sobre esta questão e seguir em frente", afirma o Global Times.
Este ano, pela primeira vez, a China vai organizar uma parada militar em Pequim para assinalar o final da II Guerra Mundial e "a vitória do povo chinês sobre a agressão japonesa".
Mais de 35 milhões de chineses morreram durante a ocupação japonesa, entre 1937 e 1945, ensinam os manuais de História da China.
AC // FV.