China lançou o "Tiangong-1", embrião da sua primeira estação espacial

Pequim, 29 set (Lusa) -- A China lançou hoje para o espaço o laboratório "Tiangong-1" (Palácio Celestial), embrião da primeira estação espacial chinesa.

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O lançamento, transmitido em direto pela televisão, foi feito da Base de Jiuquan, no deserto de Gobi, noroeste da China, às 21:16 (14:16 em Lisboa).

Trata-se de um laboratório não tripulado - com 8,5 toneladas de peso, 10,4 metros de altura e um diâmetro máximo de 3,35 metros - e deverá ficar em órbita durante cerca de dois anos.

No início de novembro, uma nave também não tripulada, a "Shenzhou 8", deverá acoplar ao "Tiangong-1", fazendo da China o terceiro país que detém esta tecnologia, ao lado da Rússia e dos Estados Unidos.

Numa primeira fase, o "Tiangong-1" será colocado numa órbita a 350 quilómetros da Terra, mas irá descer depois para 343 quilómetros, para o encontro com a "Shenzhou 8"

O lançamento ocorreu nas vésperas do "dia nacional" da República Popular da China (01 de outubro), ampliando o orgulho suscitado pelo desenvolvimento tecnológico do país.

O Presidente chinês, Hu Jintao, assistiu ao lançamento no Centro de Comando e Controlo Aero-espacial da China, em Pequim, acompanhado por dezenas de altos líderes políticos e militares do país, entre os quais o vice --presidente e seu provável sucessor, Xi Jinping.

Desde o início da manhã (hora local) que os noticiários da televisão chinesa se concentraram no lançamento do "Tiangong-1", descrito como "um passo muito importante para o desenvolvimento do programa espacial chinês".

Se tudo correr como planeado, a primeira estação espacial chinesa -- muito maior que o modulo lançado hoje - estará operacional em 2020.

Entretanto, dois ou três astronautas, incluindo a primeira mulher astronauta da China, deverão habitar durante algum tempo no "Tiangong-1".

O plano prevê, a seguir, o lançamento do "Tiangong-2" e do "Tiangong-3", onde poderão atracar mais do que uma nave.

Até agora, a China efetuou apenas três missões espaciais tripuladas, a primeira das quais em outubro de 2003, quando Yang Liwei viajou durante 21 horas em torno da Terra.

O programa espacial chinês pode parecer uma réplica do que fizeram há décadas os Estados Unidos e a Rússia, mas observadores ocidentais afirmam que a China é dos países que está a investir mais na exploração espacial e quererá ser um dos primeiros a viajar para Marte ou a estabelecer uma base na Lua.

"A tecnologia que vi [aqui] é bastante boa. De facto, à China só falta experiência", disse o antigo astronauta da NASA Leroy Chiao, numa entrevista publicada hoje em Pequim.

 

AC.

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