China não enviará delegação ao Vaticano devido a presença de líder Taiwan - MNE
A China anunciou hoje que não enviará nenhuma delegação ao funeral do Papa e declarou que a comparência do Presidente de Taiwan na cerimónia fúnebre cria um "novo obstáculo" à normalização das relações entre Pequim e o Vaticano.
"Dada a actual situação, a China não enviará nenhuma delegação", referiu Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em conferência de imprensa.
Taiwan anunciou quarta-feira que o presidente Chen Shui-bian representará a ilha no funeral do Papa João Paulo II, sexta-feira, em Roma.
Apesar de China e Vaticano não terem relações diplomáticas, o governo chinês e a igreja oficial estiveram até ao último momento a ponderar enviar representantes ao funeral, mas a presença estaria sempre dependente da questão da representação de Taipé.
"Nós desejamos que o Vaticano adopte acções concretas, de modo a criar condições para uma melhoria das relações e não criar novos obstáculos", afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa.
A China já protestou junto de Roma por ter emitido o visto a líder pró-independentista taiwanês, que realizará a sua primeira visita ao Vaticano, desde que subiu ao poder em 2000.
"Nós demonstrámos a nossa profunda insatisfação ao Vaticano e a Itália, em relação a este problema. Esperamos que, no futuro, a Itália tenha em consideração o desenvolvimento global das relações bilaterais e evite que situações semelhantes voltem a acontecer", referiu Qin Gang.
O porta-voz acusou o líder de Taiwan, reeleito para um segundo mandato no ano passado, de participar no funeral do Papa para promover a ideia de "um país em cada margem do Estreito".
"O verdadeiro objectivo (de Chen Shui-bian) é levar a cabo actividades separatistas. Em relação a isto nós opomo-nos firmemente", criticou Qin.
Uma das grandes frustrações do Papa foi nunca ter visitado o país mais populoso do mundo.
O governo chinês cortou relações com o Vaticano em 1951, dois anos após a subida do Partido Comunista ao poder.
A Santa Sé mudou então a sede de Pequim para Taipé e é um dos 25 países do mundo que mantém relações diplomáticas com Taiwan, em detrimento da China.
A China e Taiwan vivem como territórios autónomos desde o final da guerra civil, em 1949, mas Pequim considera a ilha parte da sua soberania.