China poderá lançar quarto porta-aviões em 2027, indicam imagens de satélite
A China poderá lançar o seu quarto porta-aviões - que deverá ser o primeiro do país com propulsão nuclear - já em 2027, segundo uma análise de imagens de satélite divulgada por investigadores norte-americanos.
O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, indicou que imagens captadas este mês mostram o navio, conhecido como Tipo 004, numa fase de construção semelhante à do porta-aviões Fujian em maio de 2021, cerca de um ano antes do seu lançamento à água.
O novo porta-aviões está a ser construído nos estaleiros de Dalian, no nordeste da China, e poderá ser lançado no ano em que se assinala o centenário da fundação do Exército de Libertação Popular (ELP), em 01 de agosto de 2027.
"Se a construção continuar a este ritmo e seguir um calendário semelhante ao do Fujian, não ficaria surpreendido se o navio fosse lançado até ao final de 2027 ou no início de 2028", apontou Brian Hart, diretor-adjunto do projeto China Power do CSIS.
As imagens mostram o casco do navio numa doca seca, ainda sem a pista de voo e a estrutura de comando.
Segundo o CSIS, o casco mede atualmente cerca de 322 metros de comprimento e 46 metros de largura, embora as dimensões finais permaneçam por esclarecer.
O porta-aviões poderá atingir cerca de 339 metros de comprimento, aproximando-se das dimensões dos maiores navios da Marinha norte-americana, segundo estimativas de um analista de imagens de satélite.
Os especialistas admitem, contudo, que a maior dimensão do navio e a complexidade da eventual instalação de um sistema de propulsão nuclear poderão atrasar o calendário.
Bradley Martin, investigador da Rand Corporation e antigo capitão da Marinha dos Estados Unidos, considerou viável um lançamento em 2027, mas advertiu que poderão decorrer entre dois e três anos até o navio estar operacional.
O Tipo 004 deverá também incorporar um sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves, tecnologia que permite operar aviões mais pesados e com maior carga de armamento.
A construção insere-se na estratégia de Pequim para ampliar a capacidade de projeção militar no Pacífico ocidental e no oceano Índico.
Segundo um relatório do Pentágono divulgado em 2025, a Marinha chinesa pretende construir mais seis porta-aviões até 2035, elevando a frota para nove unidades.
Os especialistas divergem, porém, quanto à viabilidade deste objetivo.
Jim Fanell, antigo responsável dos serviços de informações da Frota do Pacífico norte-americana, considerou mais realista que a China disponha de seis porta-aviões operacionais até 2035, enquanto James Holmes, professor de estratégia marítima no Naval War College dos Estados Unidos, afirmou que a capacidade industrial chinesa poderá permitir alcançar a meta mais ambiciosa.
Atualmente, a China dispõe de três porta-aviões: Liaoning, Shandong e Fujian, este último integrado na Marinha em novembro de 2025.
A expansão da frota deverá permitir a Pequim manter operações navais mais prolongadas longe das suas costas, embora os analistas ressalvem que os porta-aviões chineses poderão continuar a apresentar limitações face aos norte-americanos em cenários de conflito direto.