China puniu quase oito milhões de pessoas desde início da campanha anticorrupção de Xi

China puniu quase oito milhões de pessoas desde início da campanha anticorrupção de Xi

A China puniu quase oito milhões de pessoas desde o início da campanha anticorrupção lançada pelo Presidente Xi Jinping, em 2012, incluindo 963 altos dirigentes, segundo dados oficiais divulgados hoje pelo Partido Comunista Chinês (PCC).

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Jessica Lee - EPA

O vice-secretário da Comissão Central de Inspeção e Disciplina, principal organismo anticorrupção do PCC, Zhang Fuhai, precisou em conferência de imprensa que as autoridades abriram 8,1 milhões de processos e aplicaram sanções a 7,92 milhões de pessoas desde o XVIII Congresso do partido, realizado em novembro de 2012, quando Xi assumiu a liderança da formação.

Os números abrangem diferentes infrações disciplinares, que não correspondem necessariamente a condenações judiciais por crimes de corrupção.

Zhang reconheceu que o combate à corrupção continua a enfrentar uma situação "grave e complexa" e que persistem dificuldades em eliminar as condições que favorecem estas práticas.

O responsável explicou que as novas orientações do partido preveem intensificar as investigações sobre a conivência entre funcionários públicos e empresários, a corrupção em setores que concentram poder, fundos e recursos, bem como formas de corrupção dissimulada.

Anunciou ainda o reforço dos mecanismos de supervisão do exercício do poder e da coordenação entre os organismos responsáveis pela aplicação das normas internas.

Desde que chegou ao poder, Xi Jinping fez do combate à corrupção uma das principais prioridades do seu mandato, numa campanha que atingiu tanto funcionários de escalões inferiores como dirigentes da cúpula política e militar.

Segundo analistas, a campanha também permitiu ao líder chinês afastar potenciais rivais e consolidar o controlo sobre o partido.

Num discurso proferido em janeiro e publicado este mês pela revista Qiushi, órgão teórico do PCC, Xi alertou que algumas orientações do partido "não são aplicadas ou são aplicadas incorretamente" e criticou dirigentes que aparentam cumprir ordens, mas continuam a agir por iniciativa própria.

A dimensão da campanha reflete-se também nos dados divulgados na terça-feira, segundo os quais os organismos disciplinares puniram 680 mil pessoas entre janeiro e setembro deste ano, incluindo 105 altos responsáveis de nível provincial ou ministerial e superior.

Os novos números foram apresentados um dia depois do encerramento do quinto plenário do XX Comité Central do PCC, que ratificou a expulsão de dezenas de dirigentes civis e militares, promoveu o general Zhang Shengmin ao Politburo e aprovou uma resolução para reforçar a disciplina interna.

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