China responsabiliza "extremistas religiosos" pelos últimos "atentados terroristas" no Xinjiang
Pequim, 17 fev (Lusa) - A policia chinesa atribuiu a "extremistas religiosos" o último "ataque terrorista" no Xinjiang, que elevou para mais de 200 o número de incidentes registados desde 2012 naquela região de maioria muçulmana, anunciou a imprensa oficial no fim-de-semana.
Um homem identificado como Mehmut Tohti, aparentemente de etnia uigure, "começou a propagar o extremismo religioso há três anos" e "liderava uma grupo de treze suspeitos terroristas desde setembro de 2013", disse a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua citando a polícia local.
Além de "ouvirem cassetes áudio e de verem vídeos com conteúdo terrorista", os membros do grupo "fabricaram explosivos e testaram-nos em janeiro para se preparem para atacar veículos da polícia", refere a Xinhua.
Presumivelmente, foram aqueles treze suspeitos que estiveram envolvidos no ataque da passada sexta-feira a uma patrulha da polícia na prefeitura de Aksu.
Oito deles foram mortos pela polícia e três outros suicidaram-se durante o ataque, disse a polícia.
Segundo a mesma fonte, dois civis e dois agentes ficaram feridos e cinco veículos da polícia foram destruídos ou danificados.
Foi o segundo ataque do género registado já este ano naquela prefeitura do Xinjiang.
Cerca de 190 ataques terroristas registaram-se no Xinjiang em 2012, num aumento significativo face a 2011, disse também a Xinhua.
De acordo com o relato das autoridades, em 2013 ocorreram pelo menos mais dez e, pela primeira vez, os "extremistas religiosos" atingiram a própria Praça Tiananmen, centro da China.
Em outubro, um jeep com matrícula do Xinjiang abalroou a multidão que se encontrava junto ao retrato de Mao afixado no topo norte da praça e a seguir incendiou-se, matando os três ocupantes do veículo, todos de etnia uigure, e dois turistas.
O Xinjiang, território rico em petróleo e outros recursos minerais, que confina com o Paquistão, Afeganistão e vários países da Ásia Central, estende-se por uma área equivalente à Franca, Espanha e Portugal juntos.
Segundo estatísticas oficiais, os uigures, povo de cultura turcófona e religião islâmica, representam 46,2% dos cerca de 22 milhões de habitantes do Xinjiang, mas há meio século, eram mais de dois terços.
Entretanto, milhares de famílias `Han`, a principal etnia da China, começaram a radicar-se no Xinjiang, e hoje constituem já cerca de 40% da sua população. Na capital, Urumqi, ultrapassaram mesmo os uigures.
Num editorial publicado em 17 de dezembro passado, um dia depois de um confronto entre a polícia e elementos da comunidade uigure, que causou 16 mortos, o Global Times reconheceu que "é decisivo conquistar os corações" daquela etnia.
"Os uigures têm de acreditar que são membros de confiança da população chinesa", disse o jornal.