China sugere que membros do Partido Comunista sejam obrigados a ter três filhos

O Governo chinês sugeriu que os membros do seu Partido Comunista devem ser obrigados a ter três filhos, para o bem do país. A proposta surgiu num site de notícias estatal, numa altura em que a China enfrenta uma queda acentuada nos nascimentos.

RTP /
Após décadas de uma política de filho único, a China enfrenta agora uma crise demográfica. Thomas Peter - Reuters

Segundo a notícia, publicada no China Reports Network, cada um dos 95 milhões de membros do Partido Comunista chinês “deve arcar com a responsabilidade e obrigação de aumentar a população do país, agindo em conformidade com a política dos três filhos”.

“Nenhum membro do partido deve usar qualquer desculpa, objetiva ou pessoal, para não casar ou não ter filhos, tal como não podem usar uma desculpa para terem apenas um ou dois filhos”, podia ler-se no artigo, entretanto eliminado.

Após décadas de uma política de filho único, a China enfrenta agora uma crise demográfica provocada pelo envelhecimento da população e pela diminuição dos nascimentos. Os censos de 2020 apontavam para 18 por cento da população com mais de 60 anos. A publicação já tinha sido lançada no mês passado, mas apenas agora se tornou viral, originando inúmeras críticas nas redes sociais.

Em novembro deste ano, o Instituto Nacional de Estatística da China revelou que houve 8.5 nascimentos por cada mil pessoas em 2020, quando, em 1978, esse número se fixava em 18 nascimentos.

O Partido Comunista tem adotado uma série de medidas no sentido de contrariar esta situação, incluindo a redução dos custos associados à educação e criação de crianças, a implementação de subsídios para segundos e terceiros filhos e a introdução de um período obrigatório de “reflexão” para casais que pretendem divorciar-se.

A principal medida foi, porém, a abolição da política de filho único, em 2016, passando a existir um limite de dois filhos por casal. Este ano, face aos fracos resultados, passou a ser permitido um máximo de três crianças.

Ainda assim, os jovens chineses continuam a apontar o elevado custo de vida no país e a pressão laboral associada a longas horas de trabalho como razões para não terem filhos.

“Apesar da política de três filhos, muitas pessoas não têm as condições, o dinheiro ou o tempo para cuidar de crianças. Além disso, as empresas deixariam de querer contratar mulheres, por serem quem passa mais tempo com os filhos”, opinou um cidadão numa rede social chinesa.

Em defesa dos membros do Partido Comunista, outro utilizador lembrou que “a maioria dos membros dos partidos são pessoas normais”, que podem também não ter condições para ter filhos e que, portanto, não devem ser obrigados a tal.
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