China vai executar dois homens pela morte de monge tibetano radicado no Reino Unido

A China condenou dois homens à pena de morte pelo esfaqueamento do monge britânico que fundou o primeiro mosteiro tibetano na Europa, na sequência de uma disputa por motivos económicos, avançou a imprensa estatal.

Lusa /

Akong Tulku Rinpoche, cofundador do mosteiro Samye Ling, que fica na Escócia, foi encontrado morto com várias facadas em sua casa na cidade de Chengdu, sudoeste da China, em 2013.

A justiça chinesa sentenciou Tudeng Gusang e Tsering Banjue à pena capital pelo assassínio de Akong e dois outros homens, enquanto um cúmplice foi condenado a três anos de prisão, detalhou a agência oficial chinesa Xinhua.

Segundo a agência, que cita as autoridades, Gusan, que trabalhou no mosteiro na Escócia, e Banjue esfaquearam Akong, o seu sobrinho e um motorista, na sequência de uma disputa pelo pagamento de 2,7 milhões de yuan (378 mil euros).

O veredito, colocado nas redes sociais pelo tribunal, refere que os homicidas foram "brutais" e que "serão tratados severamente de acordo com a lei".

Akong, que tinha o título de rimpochê, a mais elevada formação académica e monástica dentro da tradição tibetana, tornou-se cidadão britânico depois de fugir do Tibete, em 1959, e fundou o mosteiro na Escócia em 1967.

Situado nas colinas escocesas, era um local de peregrinação para artistas e músicos como Leonard Cohen, assim como importantes monges tibetanos, incluindo o próprio Dalai Lama.

Apesar de ter fugido da China, Akong mantinha contactos com as autoridades de Pequim e visitava frequentemente o Tibete.

O Tibete é uma das regiões chinesas mais vulneráveis ao separatismo, com os seguidores do Dalai Lama a acusar Pequim de tentar destruir a sua identidade religiosa e cultural.

O Governo chinês argumenta que levou grandes investimentos àquele território subdesenvolvido e com uma área equivalente ao dobro da Península Ibérica.

A China é o país que mais aplica a pena de morte, sendo responsável pela maioria das execuções registadas anualmente no mundo, segundo a organização de direitos humanos Amnistia Internacional.

O número exato de casos envolvendo a pena capital no país continua, porém, a ser desconhecido, por ser considerado um segredo de Estado.

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